Brumadinho: exames detectam excesso de metais em quatro bombeiros 

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Publicado quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019 as 12:49, por: CdB

Três exames laboratoriais indicaram uma elevada quantidade de alumínio nos corpos dos agentes, enquanto um quarto identificou a presença de cobre.

Por Redação, com ABr – de Brasília

O governo de Minas Gerais informou nesta quarta-feira ter detectado níveis anormais de metais no organismo de profissionais do Corpo de Bombeiros Militar do Estado que atuam no salvamento e nas buscas de Brumadinho (MG), onde uma barragem da Vale se rompeu, em 25 de janeiro. Três exames laboratoriais indicaram uma elevada quantidade de alumínio nos corpos dos agentes, enquanto um quarto identificou a presença de cobre.

Corporação diz que tropa será acompanhada por 20 anos

Em nota, a administração estadual pontuou que a alteração não significa intoxicação aguda e assegurou que os agentes não apresentam sintoma. “É esperado que, após a interrupção da exposição, os níveis destes metais no organismo sejam normalizados”, afirmou no comunicado.

Procurado pela reportagem, o Corpo de Bombeiros disse estimar que, ao todo, cerca de mil pessoas tenham tido contato direto ou indireto com a lama de rejeitos da barragem, inclusive por inalação. “Houve muito revezamento (de agentes). Depois de todos os exames, somente três militares da tropa que trabalhou lá apresentaram alguma alteração, que pode ser de lá ou de outros lugares onde eles podem ter trabalhado”, disse em nota, acrescentando que a tropa será acompanhada por 20 anos.

Nesta quarta-feira o efetivo destacado para as tarefas no local da tragédia é de 121 pessoas. A equipe realiza as buscas em 10 áreas, com o auxílio de 52 máquinas, quatro aeronaves e quatro cães.

Quase um mês após o incidente, 141 pessoas ainda permanecem desaparecidas. Além disso, 169 óbitos já foram confirmados até o momento.

Remover moradores

A mineradora Vale começou a retirar cerca de 75 moradores de áreas próximas a cinco barragens construídas pelo método a montante nas cidades de Ouro Preto (MG) e de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG).

As remoções dos moradores faz parte do plano de descomissionamento (desativação) das barragens de Vargem Grande, em Nova Lima, e Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, em Ouro Preto.

Na última segunda-feira, a Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou que todas as barragens “a montante” existentes no país sejam extintas ou descaracterizadas até 15 de agosto de 2021.

Segundo a empresa, cerca de 60 moradores serão transferidos preventivamente de 19 residências construídas na área de impacto da barragem de Vargem Grande, em Nova Lima, e outros 15 moradores de cinco casas localizadas na área rural de Ouro Preto.

– Os moradores da zona de autosalvamento serão contatados pela Vale e pela Defesa Civil – afirmou a empresa. Segundo a Vale, os centros urbanos de Ouro Preto, Nova Lima, Itabirito e Congonhas não serão afetados pela medida.

Em nota, a prefeitura de Nova Lima afirma só ter sido informada da necessidade de evacuação às 8h45 de hoje, quando a Vale avisou a Defesa Civil municipal e acionou o plano de emergência. “A Defesa Civil Municipal já está se encaminhando ao local para acompanhar a ação da mineradora, atuar no cumprimento dos protocolos e garantir a segurança de todos”, diz o comunicado.

Uma equipe da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social também está no local, oferecendo apoio às famílias.

A Vale informou que haverá pontos de atendimento e que serão prestadaos assistência e apoio necessários aos moradores retirados. A mineradora também se comprometeu a disponibilizar abrigo para os animais.

Mais detalhes, segundo a empresa, podem ser obtidos pelo telefone 0800 031 0831 ou pelo site www.vale.com.

À Agência Brasil ligou para o número indicado e, só na segunda vez, após uma espera de quase 15 minutos, conseguiu falar com uma atendente. Após algum tempo, ela confirmou que a evacuação começaria ao meio-dia e que funcionários da Vale prestarão todo o apoio necessário, oferecendo transporte, hospedagem, alimentação e, quando preciso, medicamentos para os removidos. De acordo com a atendente, haverá também apoio psicológico e de assistentes sociais.

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