Brumadinho: família busca por conta própria parente desaparecido 

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Publicado quinta-feira, 31 de janeiro de 2019 as 14:04, por: CdB

Vanderson Geraldo da Fonseca, 31 anos, lavrador, buscava o cunhado, Paulo Giovani dos Santos, 40 anos, agricultor, desaparecido desde o dia da tragédia. “A expectativa é só encontrar o corpo para dar um basta. (Encontrá-lo) com vida, a gente não acredita mais.”

Por Redação, com ABr – de Brasília

Todas as plantações e chácaras que estavam ao lado da Vale, no Córrego do Feijão em Brumadinho (MG), foram tragadas pela lama no momento em que a Barragem 1 se rompeu, no dia 25. O cenário é de catástrofe. Foi na beira deste mar de lama que a ação desesperada de uma família chamava a atenção.

Família busca por conta própria parente desaparecido em Brumadinho

Vanderson Geraldo da Fonseca, 31 anos, lavrador, buscava o cunhado, Paulo Giovani dos Santos, 40 anos, agricultor, desaparecido desde o dia da tragédia. “A expectativa é só encontrar o corpo para dar um basta. (Encontrá-lo) com vida, a gente não acredita mais.”

Na busca desesperada, parentes usam pás, enxadas e até cavam com as próprias mãos. O motorista Pedro Ferreira dos Santos, 43 anos, é um dos 10 irmãos de Paulo Giovani.

Paulo Giovani era caseiro de uma chácara que ficava ao lado da Vale. Com o rompimento da barragem de rejeitos, a piscina, a área verde e a casa onde Paulo morava foram arrastados pela lama. Tereza Ferreira do Nascimento, 41 anos, dona de casa, é uma das irmãs de Paulo e também auxiliava nas buscas.

Ela conta, emocionada, da angústia de seguir sem respostas. “Se a gente encontrar o corpo, a gente vai pelo menos fazer o enterro e dar um ponto final na história.”

Genro de Paulo, Gean Carlos Soares, buscava não só o sogro desaparecido, mas também o tio, que trabalhava na Vale. Desde sexta-feira, ele vai até a região em busca de informações.  “Só quem tá vendo de perto, viu que estrago que fez aqui. A chance de estar vivo pode descartar.”

Depois de cinco dias seguidos, Gean conta que seria a última vez que iria até o local.

Ministério acompanha atendimento às famílias

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos enviou representantes a Brumadinho, Minas Gerais, para acompanharem de perto o atendimento às vítimas e famílias. De acordo com a pasta, em conjunto com os governos estadual e municipal, uma rede de voluntários foi acionada para ajudar na localização e no acolhimento dessas pessoas.

Entre os integrantes da comitiva enviada pelo ministério, estão membros da Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR) e Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA).

O órgão também está atendendo com prioridade as demandas referentes à tragédia recebidas pelos canais de denúncias Disque 100 e Ligue 180. Até a última terça-feira (29), 61 ligações foram recebidas, a maioria informando desaparecimentos.

Os canais funcionam 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel (celular), bastando discar 100 ou 180.

Água de qualidade

Após sete dias de buscas na região de Brumadinho e nos arredores de Belo Horizonte, os órgãos estaduais e federais intensificam ações e o combate a informações falsas. A Defesa Civil informou nesta quinta-feira que o abastecimento de água disponibilizado para a população está assegurado. O sistema é monitorado por entidades federais e estaduais responsáveis.

– Não há nenhum indicativo de falta de água. A todo momento a água está sendo monitorada – afirmou o porta-voz da Defesa Civil, Flávio Godinho. O porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Pedro Aihara, acrescentou que a lama não é tóxica. Segundo ele, a não captação de água da região é uma medida preventiva.

Godinho detalhou que o sistema Brumadinho funciona independentemente do rio Paraopeba. Segundo ele, o sistema de captação de água é feito por meio do Córrego Águas Claras. “Em Brumadinho, não haverá falta de água potável”, ressaltou o representante da Defesa Civil, acrescentando que há captação também da Serra Real, dos rios Manso e Velho, além da Várzea das Flores.

De acordo com Godinho, o sistema Paraopeba está “totalmente íntegro”. Porém, ele informou que, abaixo do rio Paraopeba, algumas captações de água, feitas por particulares, deverão ser ser interrompidas.

Números

A Polícia Civil toma depoimentos de sobreviventes e coleta amostras de DNA. Segundo a Polícia Civil, foi coletado material de 210 pessoas que representam 108 famílias. Os trabalhos vão prosseguir.

Por enquanto, os dados são de 99 pessoas mortas, dos quais 57 identificadas. Também estão confirmadas 395 pessoas localizadas e 257 desaparecidas.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, mais de 360 militares atuam na párea com apoio de 15 aeronaves e 21 cães farejadores. Ontem chegou uma equipe de Santa Catarina e uma aeronave do Espírito Santo. Há, ainda, 66 voluntários que atuam entre a área seca e a inundada. Estes voluntários são pessoas com qualificação técnica.

Harmonia

O porta-voz do Comando Militar do Leste, coronel Carlos Cineli, afirmou que os órgãos estaduais e federais trabalham em conjunto, assim como ocorreu com o grupo de militares israelenses que hoje deixa Brumadinho. Ele ressaltou que há 150 militares das Forças Armadas no terreno e mil homens prestando apoio em outras estruturas.

Para Flávio Godinho, da Defesa Civil, é fundamental ter como foco, no momento, o trabalho de resgate e assistência às vítimas. De acordo com ele, não é possível admitir notícias falsas que coloquem em dúvida as ações em curso. “Não houve em momento algum nenhum desacerto, nenhuma desarmonia entre as tropas de Israel e as que aqui estão.”

O porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Pedro Aihara, destacou que houve troca de conhecimento entre brasileiros e israelenses. Ele ressaltou que os militares de Israel ajudaram na localização de 35 pessoas.

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