Cabral, do PMDB, busca aproximação com Lula

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Publicado domingo, 16 de julho de 2006 as 21:08, por: CdB

O candidato do PMDB, Sérgio Cabral Filho, é até agora o principal personagem da campanha eleitoral para o Governo do Rio de Janeiro. Primeiro colocado nas pesquisas com 35% das intenções de voto, o senador peemedebista parece próximo do segundo turno e é o adversário a ser batido pelos demais concorrentes. A posição confortável não impede que Cabral Filho seja o candidato que mais tenha se mexido até agora na busca concreta por apoios. Depois de angariar o apoio da maioria dos prefeitos do interior, fator que costuma ser decisivo nas eleições para o governo fluminense, o senador agora ensaia um flerte com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de o PT ser seu ferrenho adversário no Rio.

Feita com cautela, a aproximação com Lula é mais um movimento que Cabral Filho realiza para tentar descolar a própria imagem do casal Anthony Garotinho e Rosinha Matheus e fugir da marca de continuísmo com a qual os adversários fazem questão de carimbar sua candidatura. Ao mesmo tempo, no entanto, o candidato do PMDB explora a proximidade com o ex-governador e a atual governadora quando isso lhe é interessante eleitoralmente. Apesar de o desgaste pelos oito anos de governo do casal ser grande na capital e nos maiores municípios, a popularidade de Garotinho e Rosinha na maioria das cidades do interior permanece alta.

O fato é que Cabral Filho sempre foi um dos pilares de sustentação da frente política organizada por Garotinho desde que este assumiu o governo estadual, em 1998. Antes de conquistar a cadeira de senador com quatro milhões de votos em 2002, presidiu a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) durante os governos de Marcello Alencar e Garotinho, fez o sucessor e é um dos políticos mais poderosos do Rio. O vínculo com a Alerj e seu histórico de irregularidades é outro que o candidato peemedebista preferiria ver esquecido nessa campanha. Um passo nesse sentido já foi dado com o sepultamento da candidatura ao Senado do atual presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), em troca da inclusão do ex-ministro Francisco Dornelles (PP) na chapa do partido.

O PMDB afirma que Cabral Filho tem o apoio de pelo menos 80 prefeitos de cidades fluminenses. Nesse grupo, dois terços dos prefeitos também apóiam a reeleição de Lula, o que torna inevitável a aproximação entre as duas candidaturas no dia-a-dia da campanha. Até mesmo os dois prefeitos petistas menos orgânicos, Cosme Salles (Itaboraí) e André Ceciliano (Paracambi), declararam apoio ao peemedebista. Em troca, Cabral Filho tem evitado até agora atacar diretamente os candidatos que darão palanque a Lula no estado, Vladimir Palmeira (PT) e Marcelo Crivella (PRB): “Meus verdadeiros adversários são a Denise Frossard e o Eduardo Paes”, disse o senador, em referência aos candidatos do PPS (com o apoio do prefeito do Rio, Cesar Maia, que é do PFL) e do PSDB.

Cabral Filho se declara neutro na disputa presidencial, mas durante um evento realizado essa semana na Associação de Comércio do Rio enviou “um abraço fraternal e carinhoso” a Lula. Sobre o apoio que o petista tem dos prefeitos fluminenses, a maioria do PMDB, limita-se a dizer que “todos os setores do partido têm o direito de manifestar sua posição”. Em abril, quando percebeu que sua pré-candidatura à Presidência da República começava a ser descartada pelo PMDB, Garotinho tentou viabilizar uma aproximação de Cabral Filho com o candidato tucano Geraldo Alckmin, mas essa possibilidade parece agora completamente descartada: “O apoio a Alckmin seria algo antinatural, pois PSDB e PFL são os que mais me atacam”, teria dito o senador, segundo assessores.

Morde e assopra

O flerte entre Cabral Filho e Lula e a possibilidade de o candidato do PMDB vir a apoiar, ainda que informalmente, o petista ao longo da campanha certamente contrariam Garotinho. Se for consolidada, a aproximação com o governo federal pode servir como um dos principais componentes da estrat