Cai por terra o discurso de Guedes sobre ‘retomada vigorosa’ da economia

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Publicado terça-feira, 17 de agosto de 2021 as 14:40, por: CdB

O resultado oficial do PIB do segundo trimestre será apresentado no dia 1º de setembro pelo IBGE. Pela ótica da oferta, dois dos três setores pesquisados ficaram no vermelho entre abril e junho, sinaliza o Monitor do PIB. A agropecuária caiu 4,4%, enquanto a indústria recuou 1,9%.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Todo o discurso do ministro da Economia, o empresário Paulo Guedes, em que aplaudia uma “retomada vigorosa” da atividade econômica do país, caiu sem fôlego, nesta terça-feira, três meses após alguns sinais positivos, ainda que mínimos, na evolução do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Segundo dados divulgados no Monitor do PIB, produzido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), houve uma redução de 0,3% no segundo, frente ao primeiro trimestre de 2021.

O IBC-Br teve queda de 0,73% e, no acumulado em 12 meses, houve alta de 0,87%, segundo números observados
O IBC-Br mostra uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e reflete o estado da economia brasileira

Se comparado ao segundo trimestre do ano passado, quando o país praticamente parou em face da covid-19, o crescimento é de 12,1%. O pesquisador do FGV Ibre Claudio Considera, coordenador do levantamento, disse a jornalistas que o desempenho positivo está relacionado à base de comparação fragilizada pela pandemia.

Segundo o economista, a retração de 0,3% mostra que houve “certo otimismo” de analistas após o PIB avançar 1,2% no primeiro trimestre. Na visão de Considera, “ainda há um longo caminho para a retomada mais robusta da economia”.

— A atividade está se recuperando, mas não na magnitude que as pessoas acham que estaria se recuperando. Quando o PIB cresceu 1,2% no primeiro trimestre, houve analistas dizendo que a economia poderia crescer entre 5% e 7% neste ano — acrescentou.

Recuo

O Monitor, por definição, tenta sempre antecipar, mensalmente, o ritmo da atividade econômica no país. O resultado oficial do PIB é calculado em estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho, a atividade econômica teve avanço de 1,2% ante maio, conforme o monitor. Frente ao sexto mês de 2020, houve elevação maior, de 10,1%, também relacionada à base de comparação fragilizada.

O resultado oficial do PIB do segundo trimestre será apresentado no dia 1º de setembro pelo IBGE. Pela ótica da oferta, dois dos três setores pesquisados ficaram no vermelho entre abril e junho, sinaliza o Monitor do PIB. A agropecuária caiu 4,4% frente ao primeiro trimestre, enquanto a indústria recuou 1,9%.

Já o setor de serviços, bastante afetado pela covid-19, avançou 0,7%. Esse segmento é o principal componente do PIB sob a ótica da oferta, respondendo por cerca de 70% do indicador. Reúne uma grande variedade de negócios, de pequenos comércios a instituições financeiras e de ensino.

— O setor de serviços está começando a reviver com o aprendizado da população sobre a pandemia. Por exemplo, você ainda não vai a um restaurante, mas pede comida em casa — constata o pesquisador.

Trajetória

Sob o ponto de vista da demanda, o consumo das famílias avançou 0,8% no segundo trimestre, em relação ao primeiro, mostra o Monitor do PIB. Também houve alta no consumo do governo (0,3%), nas exportações (8,3%) e nas importações (9,7%).

Já os investimentos produtivos na economia brasileira, medidos pelo indicador de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), caíram 2,2%. Segundo Considera, a retração ocorre após o resultado do primeiro trimestre (alta de 4,3%) ter sido turbinado por impactos do regime aduaneiro especial, o Repetro, que permite ao setor de petróleo e gás importar bens de capital sem pagar tributos federais.

Ainda na visão de analistas, a vacinação contra a covid-19 tende a beneficiar setores como o de serviços, que depende da circulação de clientes, ao longo do segundo semestre. O desemprego e a inflação em alta, na outra ponta, desafiam a recuperação econômica. No trimestre encerrado em maio, dado mais recente disponível, a taxa de desemprego alcançou o recorde de 14,6%. Havia 14,8 milhões de trabalhadores desocupados, com tendência de alta desde então.

— A economia vai continuar crescendo no terceiro e no quarto trimestres, pelo menos em relação ao ano passado. Mas não vejo uma trajetória de recuperação tão forte, inclusive em 2022. Tem desemprego, tem inflação, tem pandemia. As pessoas estão esquecendo que a inflação tira o poder de compra das famílias, assim como o desemprego. São vários problemas antes de uma recuperação forte — resume Considera.

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