Nos cálculos do BC, preços tendem a manter alta durante o mês que vem

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Publicado sexta-feira, 25 de março de 2022 as 15:04, por: CdB

Durante seminário organizado pelo BC do Peru, em parceria com o Banco de Compensações Internacionais (BIS), o presidente do BC brasileiro, Campos Neto, voltou a indicar que a autoridade monetária nacional deve encerrar o ciclo de aperto monetário com a taxa básica de juros (Selic) em 12,75% no próximo encontro, nos dias 3 e 4 de maio.

Por Redação – de Brasília

A alta dos preços, no país, tende a se agravar durante o mês de abril, tocando 11% no acumulado em 12 meses. A previsão é do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, nesta sexta-feira. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) atingiu 10,79% no acumulado em 12 meses, de acordo com relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado pela manhã. Em março, o índice teve alta de 0,95% -maior variação para o mês desde 2015.

Presidente do Banco Central, Campos Neto também preside o Conselho de Política Monetária (Copom), que regula a taxa de juros oficial do país (Selic)
Presidente do Banco Central, Campos Neto também preside o Conselho de Política Monetária (Copom), que regula a taxa de juros oficial do país (Selic)

Durante seminário organizado pelo BC do Peru, em parceria com o Banco de Compensações Internacionais (BIS), Campos Neto voltou a indicar que a autoridade monetária deve encerrar o ciclo de aperto monetário com a taxa básica de juros (Selic) em 12,75% no próximo encontro, nos dias 3 e 4 de maio.

Na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 1 ponto percentual, de 10,75% para 11,75% ao ano e sinalizou uma nova alta da mesma proporção. No entanto, o presidente do BC reconheceu que, se o conflito entre Rússia e Ucrânia se intensificar ou se houver disfunção no mercado com uma nova onda de incerteza, a autoridade monetária terá de reavaliar sua estratégia.

— Deixamos a porta aberta para junho porque sabemos que existe incerteza muito alta — ponderou, ainda que considere que esse cenário não seja o mais provável.

Choque

Ainda segundo Campos Neto, a rápida reação do BC com a elevação da Selic diante da perspectiva de uma inflação mais persistente e lembrou que a política monetária opera com defasagem.

— Fizemos bastante do trabalho, agora é esperar o legado de tudo o que foi feito — acrescentou.

Para o presidente do BC, alguns choques decorrentes da guerra no Leste Europeu serão positivos para o Brasil, como no mercado de minerais e alimentos, caso haja fertilizantes para produção.

Na outra ponta, Campos Neto indica que o país será atingido por um choque negativo na parte de combustíveis fósseis enquanto importador de derivados de petróleo. Ainda assim, o presidente do BC disse ver um cenário de oportunidades para o Brasil com a redivisão das cadeias de valor em um mundo polarizado entre “democracias e os outros”, ressaltando que é “importante estar do lado certo”.

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