Câmara discutirá morte de Tim Lopes e liberdade de imprensa

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Publicado domingo, 1 de junho de 2003 as 11:51, por: CdB

Uma sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados, às 9h30 de quarta-feira, marcará um ano de morte do jornalista Tim Lopes, assassinado por narcotraficantes no Rio de Janeiro.

A iniciativa é do vice-líder do PCdoB, Daniel Almeida, tendo como co-autores os deputados Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Fernando Ferro (PT-PE) e Dr. Hélio (PDT-SP). A sessão discutirá também os atentados à liberdade de imprensa já ocorridos no país.

De acordo com o informe Barômetro da Imprensa da ONG internacional Repórteres Sem Fronteiras, o Brasil enfrenta “problemas sensíveis” com relação à liberdade de imprensa.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Unesco, órgão das Nações Unidas que trata das questões relativas à comunicação, e a FENAJ se mobilizam através da recém-criada rede de comunicação nacional em defesa da liberdade de imprensa, que permitirá a troca de informações sobre ocorrências que atentem contra o direito de livre expressão.

A rede permitirá que as entidades recebam denúncias e façam levantamentos sobre casos de ameaças à liberdade de informação e à atividade jornalística. Essas ações serão, no futuro, estendidas às demais nações americanas e, eventualmente, a todo o mundo.

– Sempre que um jornalista é exposto à violência, intimidação ou detenção arbitrária por causa de seu compromisso em transmitir a verdade, todos os cidadãos são impedidos de exercer seu direito de expressão e de agirem segundo sua própria consciência – afirmou Koichiro Matsuura, diretor-geral da Unesco.

Tim Lopes trabalhou nos jornais O Globo, O Dia, Jornal do Brasil e estava na TV Globo desde 1996. Teve uma carreira marcada por reportagens investigativas.

Ele gostava de viver na pele o cotidiano das pessoas sobre as quais iria escrever. Sua última grande reportagem foi uma série sobre os maus tratos que pacientes recebiam em clínicas para recuperação de drogados, um trabalho de meses, durante os quais ele se internou em diversos estabelecimentos.

Quando trabalhava no jornal O Dia, Tim se passou por operário na construção da Linha Vermelha e, em outra ocasião, fez as vezes de grileiro em Rio das Pedras.

Tim começou no jornalismo como contínuo na Bloch Editores. Na TV Globo, trabalhou primeiro como produtor do Fantástico e, depois de seis meses, foi para a Editoria Rio, onde comandou a equipe que fez a série Feira das Drogas.

As reportagens em que denunciou a ação de traficantes a céu aberto na favela da Grota, foram ao ar no Jornal Nacional e renderam à emissora o Prêmio Esso de Telejornalismo de 2001.