Câmara faz história ao votar impeachment de Trump

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Publicado quarta-feira, 18 de dezembro de 2019 as 12:12, por: CdB

Trump se tornaria o terceiro presidente norte-americano a sofrer impeachment, uma limitação extraordinária ao poder presidencial prevista na Constituição do país.

Por Redação, com Reuters – de Washington

A votação na Câmara de maioria democrata deve depender quase totalmente do alinhamento partidário, sublinhando a divisão profunda no Congresso a respeito da conduta de Trump, e o cisma político mais amplo na própria nação.

Balão que mostra presidente dos EUA, Donald Trump, como bebê sobrevoa cartaz pedindo seu impeachment
Balão que mostra presidente dos EUA, Donald Trump, como bebê sobrevoa cartaz pedindo seu impeachment

Trump se tornaria o terceiro presidente norte-americano a sofrer impeachment, uma limitação extraordinária ao poder presidencial prevista na Constituição do país para executivos que cometem “altos crimes e delitos”. Nenhum presidente já foi afastado do cargo nestes termos.

A votação, que deve acontecer de tarde ou no início da noite, resultaria em um julgamento no Senado no mês que vem no qual membros da Câmara atuarão como procuradores. O Senado é controlado pelos republicanos, que vêm mostrando pouco interesse em retirar Trump do cargo.

Democratas da Câmara acusam Trump de abusar de seu poder pedindo à Ucrânia que investigue Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA e um dos democratas mais bem posicionados para disputar a eleição de 2020. Trump também é acusado de obstruir uma investigação do Congresso a respeito da questão.

Trump insiste que não fez nada errado, e classificou o processo como “uma farsa total”.

Ele denunciou o inquérito, descrevendo-o como uma “tentativa de golpe”, e argumenta que os democratas estão tentando reverter os resultados da eleição de 2016, na qual ele derrotou a democrata Hillary Clinton.

Segundo mandato

Tendo em conta que Trump buscará um segundo mandato no ano que vem, o impeachment está dividindo o público, a maioria dos eleitores democratas o apóia, e a maioria dos republicanos o rejeita.

Temerosos de um revés político, os democratas resistiram durante muito tempo a um inquérito de impeachment, mesmo depois que o procurador especial Robert Mueller delineou possíveis episódios de obstrução da justiça de Trump em seu relatório sobre a interferência russa no pleito de 2016.

Mas depois que um delator trouxe à luz um telefonema de julho no qual Trump pressionou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, a investigar Biden, democratas da Câmara se apressaram para tomar depoimentos de funcionários antigos e atuais do governo.