Caminhoneiros apoiam greve dos petroleiros e fecham Porto de Santos

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Publicado segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020 as 12:00, por: CdB

Sindicato da categoria inicia paralisação de três dias, enquanto greve dos trabalhadores da Petrobras já dura 17 dias.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Desde a zero hora desta segunda-feira, caminhoneiros ligados ao Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos (Sindicam) paralisaram o acesso ao Porto de Santos, apesar de liminar na Justiça que impôs multa diária de R$ 200 mil para evitar o bloqueio. Eles também apoiam declaram apoio à greve dos petroleiros, que entrou no seu 17º dia.

Caminhoneiros protestam pela aplicação da tabela do frete, principal 'conquista' da greve de 2018
Caminhoneiros protestam pela aplicação da tabela do frete, principal ‘conquista’ da greve de 2018

Segundo Carlos Alberto Dahmer, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Ijuí (Sindtac-Ijuí), os motoristas realizam protestos nas margens das rodovias em todo país mas, até as 10h da manhã, o único registro de interdições com bloqueios era o do Porto de Santos.

O movimento deve prosseguir pelo menos até a próxima quarta-feira, quando estavam previstas para serem julgadas no Supremo Tribunal Federal (STF) três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs), movidas por entidades do setor patronal, a Associação do Transporte Rodoviário do Brasil (ATR Brasil), que representa empresas transportadoras, juntamente com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e contestam a constitucionalidade da  Lei 13.703, de 2018, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

O ministro Luiz Fux, porém, adiou o julgamento das ações a pedido da Advogacia Geral da União, órgão do governo federal. Ainda não há nova data para o julgamento.

Dahmer criticou a política da Petrobras de atrelamento dos preços dos combustíveis às flutuações do mercado, bem como o desmonte da estatal, com demissões em massa e venda de ativos.

– Em diversos lugares do mundo se guerreia pelo petróleo. Aqui se dá de graça, para que os grandes oligopólios se beneficiem. Tiram das nossas refinarias a sua capacidade, deixam a companhia ociosa para garantir o lucro das empresas estrangeiras. Essa luta não é só dos caminhoneiros, não é só dos petroleiros. É de toda a sociedade – afirmou o presidente do Sindtac-Ijuí aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira.

Petroleiros

Já os petroleiros apontam o risco de desabastecimento por conta da intransigência do governo Bolsonaro, que segue intransigente e se nega a negociar. Os petroleiros estão em greve, desde o dia 1º de fevereiro, em defesa da Petrobras como maior patrimônio público do povo brasileiro, e contra as cerca de mil demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR).

Segundo o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) João Antônio de Moraes, a paralisação já atinge 120 unidades da estatal em todo o país, com mais de 20 mil trabalhadores de braços cruzados.

– Sem a Fafen-PR, ameaçada de fechar após as demissões, vai aumentar a dependência da exportação de fertilizantes. Se passarem a ser importados, assim como os combustíveis, ficarão sujeitos às flutuações do mercado internacional, o que deve impactar no preço dos alimentos – alerta Moraes.

Também em entrevista ao Jornal Brasil Atual, ele comemorou a adesão dos “companheiros” caminhoneiros à luta por uma outra política para os combustíveis.

– Queremos saudar a vinda dos companheiros caminhoneiros. Eles estão se apercebendo que têm um vínculo muito grande com os petroleiros. Afinal de contas a matéria prima que move os seus caminhões somos nós que produzimos. Perceberam que a paridade com o preço internacional é um suicídio para todo mundo – disse o diretor da FUP.

 

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