Campinas tem o Carnaval mais violento já registrado

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Publicado quarta-feira, 5 de março de 2003 as 09:46, por: CdB

Mesmo um dia antes do fim do Carnaval, o número de assassinatos registrados em Campinas (95 km a noroeste de SP) até o final da tarde desta terça-feira já é o maior registrado no feriado nos últimos dois anos.

Desde à 0h do último sábado, até as 19h desta terça-feira, dez pessoas haviam sido mortas na cidade. O número é 66,6% superior ao de todo o Carnaval de 2002, quando seis pessoas foram assassinadas, de acordo com dados oficiais da Polícia Militar.

Os crimes deste Carnaval também superam os de 2001, ano mais violento da história de Campinas, com 569 homicídios. No feriado daquele ano, nove pessoas foram mortas. A polícia não soube informar as estatísticas referentes ao ano 2000.

Segundo o comandante do 8º Batalhão da PM, coronel Osmar Sabbatini, a Polícia de Campinas está intensificando as ações em bairros da periferia em que foram registrados mortes violentas neste Carnaval. Há também fiscalização nos bares e bailes de clubes.

Ele afirmou que o reforço de policiamento nessas áreas faz parte da “Operação Carnaval” e tem como objetivo reduzir o número de crimes.

Segundo Sabbatini, mais mortes poderiam ter ocorrido se não houvesse esse tipo de ação policial. “Apesar dos esforços, houve esse número de mortes. Ele, no entanto, não foge da média dos outros carnavais. O problema é que homicídio é um crime imprevisível. Ainda há a questão do aumento populacional, da crise, fatores que contribuem para que a violência aumente.”

Sabbatini também afirmou que, apesar dos homicídios na periferia, nos bailes e festas populares de Carnaval não houve ocorrências graves. O número de furtos e roubos de carros se manteve estável, segundo o coronel.

Crimes

O último dos dez crimes ocorridos no período do Carnaval em Campinas foi o do integrante da escola de samba VaiQuemKé, Matheus Gustavo Cacciatori, 20. Ele foi degolado próximo a um córrego do Jardim Bandeira 2, na noite de segunda-feira.

Segundo a polícia, há indícios de que ele tenha sido torturado antes de ser morto, com um corte na garganta. Testemunhas afirmaram que ele estava sozinho no barracão da escola quando foi levado do local por quatro homens armados, em um Monza.

A Polícia Civil ainda não tem pistas dos assassinos.

No último domingo, o motoboy Luís Antônio de Oliveira, 25, foi morto no Jardim Mercedes durante uma tentativa de assalto, segundo a polícia.

No mesmo dia, Adriano Soares, 18, e Marcos Pereira Roberto da Silva, 14, foram encontrados mortos a tiros no Jardim São Marcos. Outros mortos naquela madrugada foram José dos Santos, 25, e Charle Alves Rosa, no Jardim Itatinga, periferia de Campinas.

As outras mortes ocorreram na primeira madrugada do feriado, no Jardim Ouro Verde, Jardim Campo Grande, Jardim Florence 2 e Jardim Fernanda 1.