Capa da Economist não engana ninguém, diz professor

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Publicado segunda-feira, 7 de junho de 2021 as 16:26, por: CdB

A reportagem da Economist destaca que o Brasil de Bolsonaro tem um dos piores números de mortos pela pandemia. Além disso, o desemprego, a devastação ambiental e a violência urbana também são destacados como aspectos negativos.

Por Redação – de São Paulo

O Brasil voltou à capa da revista ultraliberal britânica The Economist. Com o Cristo Redentor respirando por oxigênio, a publicação destaca o declínio “chocantemente acelerado” vivenciado pelo país.

A revista ultraliberal britânica The Economist faz críticas à falta de educação do mandatário neofascista

A reportagem da Economist destaca que o Brasil de Bolsonaro tem um dos piores números de mortos pela pandemia. Além disso, o desemprego, a devastação ambiental e a violência urbana também são destacados como aspectos negativos. Como de hábito, a publicação liberal destaca a necessidade de implementação de “reformas” para reconduzir o país ao caminho do desenvolvimento.

“Mas será difícil mudar o rumo enquanto Bolsonaro for presidente. A prioridade mais urgente é tirá-lo pelo voto”, alerta a matéria publicada no último sábado. Distorcendo o conteúdo, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) atacou a publicação. Pelo Twitter, o perfil da secretaria chegou a afirmar que a revista inglesa estaria defendendo “eliminar” Bolsonaro.

Homofóbico

Para o professor da faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Uallace Moreira, a reportagem da The Economist é importante, porque coloca em evidência internacional as crises sanitária, social e democrática vividas pelo país. Contudo, segundo ele, a revista defende a mesma concepção de política econômica adotada pelo governo, saudada também pela mídia tradicional local.

— Se Bolsonaro tivesse o mínimo de civilidade, a The Economist não estaria fazendo esse tipo de reportagem. Se ele não tivesse esse comportamento agressivo, contra a vida, homofóbico e preconceituoso, e tivesse o mínimo de civilidade, teria o apoio da grande imprensa. Não me iludo com esse tipo de capa — afirmou Moreira à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA), nesta segunda-feira.

Desemprego

Ainda segundo Moreira, “do ponto de vista econômico, o atraso social que estamos vivendo é resultado da agenda econômica que ela, The Economist, (apoia)“.

— Estamos vivendo uma crise no mercado de trabalho sem precedente, com taxa de desemprego de 14,6%, e uma taxa de desalento de 5,6%. Com aumento do emprego sem carteira assinada e autônomo. Ou seja, com precarização das condições — acrescentou.

Ele destaca que o avanço do desemprego era uma das questões que as reformas neoliberais adotadas nos últimos anos prometiam resolver. “No entanto, as reformas que foram feitas, que prometiam resolver essas problemáticas sociais, estão agravando esses problemas”.

Ir além

Para Moreira, ser “civilizado” é o mínimo que se pode exigir de um governo. Isso inclui a preservação do meio ambiente, o respeito aos direitos das minorias e um tratamento republicano com os veículos de imprensa.

Entretanto, as críticas ao governo Bolsonaro precisam ir além, incorporando também o rechaço à sua agenda econômica, que tem resultado em desemprego e miséria para a maioria da população.

Exemplo desse alinhamento ideológico, segundo o professor, é a resistência do governo em propor uma reforma tributária que aumentasse a cobrança de impostos sobre as grandes fortunas. Em vez disso, a equipe do ministro Paulo Guedes diz que desistiu da criação de uma “nova CPMF”, mas estuda mecanismos para tentar ampliar a arrecadação do governo.

Atrasado, o Brasil permanece na contramão do mundo. Por exemplo, durante o final de semana, representantes das principais economias de mercado do mundo – o chamado G7 – concordaram em apoiar novas regras para tributar empresas multinacionais em pelo menos 15%.

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