Carimbó inspira exposição e apresentação de mestres do Pará no Rio

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Publicado quinta-feira, 25 de julho de 2019 as 09:33, por: CdB

Patrimônio Cultural do Brasil desde 2014, o Carimbó é a estrela da exposição “Pau, corda, cores e (re) invenções: instrumentos e artesanatos do Carimbó”.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Patrimônio Cultural do Brasil desde 2014, o Carimbó é a estrela da exposição Pau, corda, cores e (re) invenções: instrumentos e artesanatos do Carimbó, que começou nesta quinta-feira, no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP-Iphan), no Catete.

Maracas para tocar o carimbó, de Elias Barata Modesto, Mestre Elias, na Associação Araguaim Esporte Clube, Araguaim, Marapanim, PA, Pará

Dando corpo vivo à tradição, uma roda com 11 mestres de diversos municípios paraenses se apresentará ao público.

A exposição documentando o gênero foi inaugurada nesta quinta-feira às 17h no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular no Catete, com a participação do Coletivo de Mestres de Carimbó. O coletivo fará também apresentação na sexta-feira, às 16h.

Ao todo, 11 mestres desta tradição vêm do Pará ao Rio de Janeiro para participar da mostra

O Coletivo de Mestres de Carimbó é formado por Dona Meire (Soure), Lucas (Belém), Manoel Alexandre, Acidenor (Ananindeua), Raimundo, Waldinei (Icoaraci), José Maria (Santa Bárbara), Marin ho, Reginaldo (Marapanim), Agnaldo (Salvaterra) e Adan (Santarém). Grátis.

Em seu conjunto, a mostra traz referências sobre a forma de expressão que envolve múltiplas linguagens como a dança, a indumentária, o canto, o ritmo, a culinária e produção artesanal.

A visitação é gratuita até o dia 8 de setembro na Sala do Artista Popular (SAP). Desde 1983, já foram realizadas 197 exposições SAP, sendo Pau, corda, cores e (re)invenções: instrumentos e artesanatos do carimbó, a 198ª. Até abril de 2020 estão previstas mais sete exposições com registros de Arte Popular de todo o Brasil na SAP.

Organização

Ensaio do grupo Cruzeirinho de carimbó em Soure, Ilha do Marajó, Para, PA

A organização de Pau, corda, cores e (re) invenções: instrumentos e artesanatos do Carimbó envolve vários pesquisadores do CNFCP, além do Superintendente do Iphan/Pará, Cyro Lins. À frente da coordenação da Sala do Artista Popular está a antropóloga Elisabete Costa. “É importante para o Brasil se reconhecer. Estamos mostrando o Brasil profundo”, define a antropóloga.

O pesquisador Daniel Reis participa da equipe que deu forma à mostra. “Temos no Museu de Folclore Édison Carneiro um acervo de instrumentos musicais importante. Este foi o ponto de contato para traçar um breve panorama deste patrimônio que é o Carimbó. Foi fundamental a atuação do Comitê Gestor da Salvaguarda do Carimbó como Patrimônio Cultural.

Percorremos várias regiões do Pará em busca destes mestres Trata-se de um universo riquíssimo de pessoas que produzem instrumentos de forma totalmente artesanal (re)utilizando tubos de PVC, madeiras, capacetes, panelas, frascos diversos, peças de bibicleta, enfim, tudo pode servir à criatividade”, Reis.

A Sala do Artista Popular difunde a arte popular, trazendo objetos que, por seu simbolismo, tecnologia de confecção ou matéria-prima empregada, revelam o modo de vida das camadas populares.

Os artistas

Os artistas expõem seus trabalhos, estipulando livremente o preço e explicando as técnicas envolvidas na confecção. O valor obtido com as vendas vai integralmente para eles. O catálogo de cada exposição é desenvolvido a partir de pesquisa etnográfica e documentação fotográfica realizada pela equipe do CNFCP.

“Pau, corda, cores e (re)invenções: instrumentos e artesanatos do carimbó”

Há mais de 200 anos, o Carimbó mantém sua tradição em quase todas as regiões do Pará, e tem se reinventado constantemente. Seus instrumentos, sua dança e música são resultados da fusão das influências culturais indígena, negra e ibérica; e a memória coletiva dos mestres e seus descendentes tem mantido vivo o patrimônio.

Mestre Ronaldo recorda: “Antes era no pau e na corda; na viola e na lamparina. Não tinha microfone, não tinha nada”. De geração em geração, a produção prioriza o reaproveitamento de materiais para realizar banjos, curimbós, flautas, maracas, milheiros, reco-reco, além de saias e adereços. Segundo Mestre Ronaldo: “os mestres antigos faziam cultura, nós fazemos uma ação política e de cidadania a partir da cultura”.

Serviço:

Exposição Pau, corda, cores e (re)invenções: instrumentos e artesanatos do carimbó

Local: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular Serviço

Endereço: Rua do Catete, 179. Telefone: 21 3826-4322

Inauguração: 25/7, às 17h

Visitação: de terça-feira a sexta-feira, das 10h às 18h

Sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h

Entrada grátis

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