A carreata macabra dos bolsonaristas

Arquivado em: Opinião, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 30 de março de 2020 as 10:57, por: CdB

O bolsonarista raiz adora posar de valentão, mas é meio covardão. Na última sexta-feira, a matilha fez “carreatas”, e não passeatas, contra a quarentena e para defender o “capetão”. Como ironizou Rui Costa, governador da Bahia, os ricaços preferiram usar seus carrões de luxo e evitaram pegar ônibus ou metrô.

Por Altamiro Borges – de São Paulo

A revista Veja ironizou que “os apoiadores de Bolsonaro fazem carreatas por fim da quarentena”. Mas para ser consequente, a milícia bolsonarista devia promover passeatas, com todo mundo juntinho e abraçado. O negacionismo é um atraso de vida. E mata! Lamentável!

O bolsonarista raiz adora posar de valentão, mas é meio covardão
O bolsonarista raiz adora posar de valentão, mas é meio covardão

Segundo a Folha, “sem sair dos seus carros, os manifestantes pelo país atendem apelo de Bolsonaro e pedem fim do isolamento. Um dia antes, o próprio presidente postou em sua conta em rede social vídeo de carreata em Santa Catarina”. Os protestos bolsonaristas, porém, foram fracos.

“Em São Paulo, pequenas carreatas percorreram diferentes pontos da cidade. Algumas delas com bandeiras do Brasil… Em Belo Horizonte, cerca de 90 carros saíram da Cidade Administrativa… No Rio de Janeiro, houve buzinaço em frente à Assembleia Legislativa. O protesto, contudo, não teve muita adesão”, relata a Folha.

Já em Pernambuco, governador Paulo Câmara (PSB) baixou decreto proibindo aglomerações para evitar o contágio do vírus. “Há 12 dias, um dos organizadores do ato em apoio a Bolsonaro chegou a ser detido e levado para delegacia por descumprir a norma estadual”.

Em Fortaleza, o grupelho fascistoide Consciência Patriótica até marcou uma carreata, mas cancelou temendo a multa de até R$ 50 mil fixada em decreto pelo governador Camilo Santana (PT). A Bahia também peitou os bolsonaristas. “O responsável vai ser levado para a delegacia”, ameaçou Rui Costa (PT).

A Folha ainda registrou um fato curioso ocorrido em Porto Alegre (RS), onde a carreata macabra foi rechaçada. “Enquanto carros desfilavam por ruas do centro, algumas pessoas batiam panelas das janelas e outras gritaram ‘fora, Bolsonaro’ e ‘Bolsonaro assassino’ para carreata”.

Com sua postura anticientífica diante do coronavírus, o “capetão” volta a ser alvo de galhofa na imprensa internacional. A revista inglesa The Economist crava o apelido “BolsoNero e diz que o presidente “brinca” com a pandemia. Já a alemã Der Spiegel dá o título de “O último negacionista”.

Coronavírus

No momento em que as mortes pelo coronavírus avançam no Brasil, Itália, EUA e outros países, o laranjal de Bolsonaro gasta fortunas numa peça publicitária com o slogan “O Brasil não pode parar”. O anúncio macabro que pede a “volta à normalidade” contraria especialistas em saúde.

A postura criminosa do governo diante da propagação do coronavírus isola cada vez mais o “capetão”. Até setores que apoiaram o fascista na eleição agora se distanciam. A revista IstoÉ informa que até “Doria chama Bolsonaro de ‘irresponsável’ por campanha pelo fim do isolamento”.

Já as “Páginas Amarelas” da Veja traz longa entrevista com o governador do Rio de Janeiro. O título: “Wilson Witzel: ‘Não há diálogo com Bolsonaro”. E destaca: “O governador, que se elegeu sob a alcunha ‘Bolsowitzel’, dispara contra lentidão de Brasília no combate ao coronavírus”.

O site G1, da Globo, informou no final da tarde da última sexta-feira que “o Brasil tem 15 novas mortes por coronavírus e chega a 92; há 3.417 casos confirmados. Número de mortos em São Paulo salta 209% na semana e chega a 68”. É urgente salvar vidas no Brasil. Bolsonaro mata!

O mesmo site G1 destaca: “Prefeito de Milão diz que foi um erro pedir para cidade não parar. Há um mês, ele compartilhou vídeo contrário ao isolamento. Hoje, a Itália tem 9 mil mortos”. Jair Bolsonaro também fará a autocrítica em público ou seguirá mentindo e enganando os ingênuos?

 

Altamiro Borges, é jornalista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil