Carros velhos fazem frente a tanques dos EUA em Falluja

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Publicado quinta-feira, 4 de novembro de 2004 as 20:46, por: CdB

Apesar de terem tanques poderosos e modernos para abrir caminho em Falluja, os marines norte-americanos dizem ficar impotentes diante da sofisticação cada vez maior das estratégias dos suicidas, que usam carros velhos como bombas.

– Os suicidas costumavam dirigir sozinhos. Agora eles andam em grupos de três, para enganar todo mundo – disse à Reuters o primeiro-sargento Roy Meek, de Greenbrier, Arkansas.

– Essa é uma das maiores preocupações. É muito difícil distinguir esses carros dos outros. Eles estão se sofisticando. Colocam em carros velhos explosivos fáceis de desmontar e difíceis de detectar.

Os fuzileiros navais preparam uma ofensiva contra forças leais a Saddam Hussein na cidade de Falluja. Eles estão em alerta máximo desde que um ataque suicida matou oito marines, no fim de semana.

O ataque a Falluja, uma cidade de 300 mil habitantes, será executado com os tanques mais poderosos já construídos, com canhões para destruir edifícios e metralhadoras contra guerrilheiros.

Mas tem sido cada vez mais difícil detectar os suicidas em meio aos outros carros. Quando eles são pegos, já é tarde demais. “Você tem cerca de 10 segundos para reagir. Esses tanques são projetados para terrenos abertos. Em Falluja um carro pode atravessar a rua e te pegar”, disse o sargento da artilharia Ishmael Castillo, 34, um comandante de tanque que veio de Hereford, Texas.

Ataques suicidas mataram centenas de pessoas no Iraque, principalmente forças de segurança e funcionários do governo. O número de ataques contra comboios militares americanos vem crescendo.

Toda vez que o primeiro-sargento Meek lidera um comboio próximo a Falluja, ele reúne seus homens e repete as diretrizes de aproximação de veículos. “Mande-os embora. Depois atire nos pneus. Depois atire nos faróis. Depois atire neles”, disse.

Quando um comboio se movimenta, todos os carros são observados atentamente. Um pisca-alerta ou um retorno súbito são suficientes para despertar suspeitas.

Os marines prenderam mais de 100 pessoas perto de Falluja esta semana sob a suspeita de dirigir carros com explosivos. A maioria foi liberada.

Os fuzileiros navais estão mais conscientes do perigo, mas às vezes têm dificuldade em compreender por que alguém iria querer se explodir.

– Tento não pensar nisso. Já vi o que eles podem fazer com um caminhão de sete toneladas. Mas alguns dos rapazes estão com medo. Tento falar com eles e ajudá-los ou eles falam com o capelão – disse o cabo William Alexander, 22, originário de Northport, na Flórida. Sua função é armar ogivas nos canhões dos tanques.

– De certo como consigo entender que eles estão defendendo seu país. Espero que nunca tenha que defender meu país desse jeito. Na verdade, sei que nunca o faria.