Centenas de simpatizantes do Estado Islâmico escapam na Síria

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Publicado domingo, 13 de outubro de 2019 as 14:29, por: CdB

Fuga de campo de deslocados confirma temor de que retirada dos EUA e avanço da Turquia no norte sírio propiciem ressurgimento do grupo jihadista “Estado Islâmico”. Ataque aéreo turco mata civis, inclusive um jornalista.

Por Redação, com DW – de Beirute

Pelo menos 950 combatentes do “Estado Islâmico” (EI) e simpatizantes e familiares seus escaparam neste domingo do campo de Ain Issa, na Síria, a cerca de 35 quilômetros da fronteira com a Turquia. O fato confirma o temor que a retirada americana e o avanço turco no norte sírio permitirá que o grupo jihadista se reconstitua, após ter sido praticamente derrotado.

Forças turcas prosseguem com bombardeios na fronteira com Síria
Forças turcas prosseguem com bombardeios na fronteira com Síria

“A fuga vem depois de bombardeios por mercenários aliados à Turquia atingirem o campo”, informaram autoridades curdas da região, segundo as quais “isso representa apoio para o recrudescimento do Daesh (acrônimo árabe para o EI)”. O campo de Ain Issa, na província de Raqq, abriga cerca de 12 mil deslocados. Para escapar, os confinados romperam os portões de seus alojamentos, aproveitando-se da distração dos guardas.

A luta entre milícias curdas e combatentes apoiados pelo governo turco escala no norte e nordeste sírio, Ancara iniciou sua assim chamada “Operação Fonte de Paz” na última quarta-feira, com o fim declarado de combater extremistas do EI e militantes curdos, os quais considera ligados ao banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). O governo da Turquia classifica a legenda como “terrorista”, acusando-a de promover uma insurgência dentro do país.

Civis mortos em bombardeio de comboio

Segundo dados da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mais de 80 civis já morreram nos combates, dos quais 26 apenas neste domingo. Das pelo menos dez vítimas de um ataque aéreo turco contra um comboio, cinco eram civis. Os veículos, que acabaram de chegar à cidade fronteiriça de Ras al-Ain, levavam manifestantes contra a ofensiva de Ancara e eram acompanhados por jornalistas, também estrangeiros. Um deles teria morrido, noticiou o OSDH, que monitora os conflitos.

A investida turca no norte da Síria começou um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar que retiraria suas tropas da região, apesar da resistência política interna. Neste domingo, o secretário da Defesa Mark Esper confirmou a partida de mais mil soldados americanos, preparando-se para a retirada total. Encurralados entre o EI e os militares turcos, cerca de 130 mil moradores já abandonaram suas casas.

A ONU alerta para o impacto humanitário da ofensiva militar, que tem sido alvo de pesadas críticas por parte da comunidade internacional, não só por abrir uma nova frente de combate num país há oito anos assolado por uma guerra civil, mas também porque os curdos são considerados aliados importantes na luta contra os terroristas do EI.

Em telefonema com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a chanceler federal Angela Merkel exigiu “o fim imediato da operação militar”. No sábado, Berlim e Paris anunciaram que suspenderão a exportação de armas para a Turquia, em reação à ofensiva em curso na vizinha Síria.

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