Chefe da Secom, acusado de corrupção, quer mais recursos para gastar

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Publicado domingo, 19 de janeiro de 2020 as 18:28, por: CdB

A Secom é a responsável pela distribuição da verba de propaganda do Planalto e dita as regras para as contas dos demais ministérios e autarquias. No ano passado, foram R$ 197 milhões em campanhas.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o publicitário Fabio Wajngarten, mantido no posto mesmo após uma série de denúncias, tem a missão de “centralizar no Palácio do Planalto a verba de publicidade da Esplanada dos Ministérios. Coube também ao secretário fortalecer os laços com emissoras de televisão que façam contraponto à Rede Globo. A TV carioca é considerada pelo presidente Jair Bolsonaro uma adversária do governo”, afirma o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), autor da denúncia original.

Wejngarten concentra toda a verba de publicidade do governo e mantém uma empresa que recebe contratos dos meios de comunicação
Wejngarten concentra toda a verba de publicidade do governo e mantém uma empresa que recebe contratos dos meios de comunicação

Na quarta-feira, a FSP revelou que ele recebe, por meio de uma empresa da qual é sócio — a FW Comunicação —, dinheiro de emissoras de TV e agências de publicidade contratadas pela própria secretaria, ministérios e estatais do governo.A Secom é a responsável pela distribuição da verba de propaganda do Planalto e dita as regras para as contas dos demais ministérios e autarquias. No ano passado, foram R$ 197 milhões, em contratos de publicidade.

Negociação

“À frente da comunicação institucional da Presidência desde abril do ano passado, Wajngarten deu início à discussão para concentrar as agências de propaganda sob o comando da Secom.
Além disso, ele tem o objetivo de aumentar o poder da secretaria na deliberação sobre o orçamento federal destinado às ações publicitárias governamentais. Hoje, as contas ministeriais são geridas de forma independente pelas pastas. A ideia é que passem para as mãos da Secom, turbinando a estrutura presidencial”, acrescenta a reportagem.

Um argumento é que a mudança, que pode ser implementada neste ano, poderá unificar o discurso institucional. Outro é tornar mais vantajosa para a administração pública a negociação com veículos de comunicação. Ao todo, discutia-se contratar oito agências para atender a Esplanada e a Presidência. A FSP apurou com interlocutores que participam das discussões que a estimativa é que as despesas com novos contratos sejam de cerca de R$ 300 milhões por ano.

Silvio Santos

“Para executar esse plano, Wajngarten chegou ao governo com a bênção do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente. Na batalha da comunicação bolsonarista, Wajngarten ganhou a confiança do clã ao assumir a tarefa de aproximar o presidente a executivos de emissoras como Record, SBT, Rede TV! e Band” continua.

Segundo a FSP, “deu certo até aqui”.

“Pelas mãos do secretário, Bolsonaro foi levado ao apresentador e empresário Silvio Santos, dono do SBT. O presidente ainda concedeu entrevistas a apresentadores como José Luiz Datena (Band) e Ratinho (SBT). Foi na emissora do dono do Baú da Felicidade, como relatou em pronunciamento para se defender da reportagem da Folha, na quarta-feira, que Wajngarten iniciou sua trajetória. Ele é próximo ainda ao deputado Fabio Faria (PSD-RN), genro do apresentador”, resume.

O secretário de Comunicação Social da Presidência é advogado, tem especialização em marketing e atua no mercado publicitário.

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