Chegada do outono amplia risco de aumento da pandemia, no país

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Publicado sexta-feira, 20 de março de 2020 as 11:52, por: CdB

O surto do novo coronavírus desembarcou no Brasil à medida que os dias quentes de verão chegam ao fim, possivelmente agravando a propagação do vírus, disseram especialistas em saúde.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O surto do novo coronavírus desembarcou no Brasil à medida que os dias quentes de verão chegam ao fim, possivelmente agravando a propagação do vírus, disseram especialistas em saúde à agência inglesa de notícias Reuters.

Passageiros caminham em plataforma de trem da Central do Brasil, no Rio de Janeiro
Passageiros caminham em plataforma de trem da Central do Brasil, no Rio de Janeiro

Pouco se sabe sobre como mudanças de temperatura afetam o novo coronavírus, que desencadeou uma crise global. Entretanto, seis especialistas afirmaram que surtos anteriores no Brasil, incluindo a pandemia de gripe suína pelo H1N1 em 2009, apontam que temperaturas mais frias ampliam o contágio.

O país já é o mais afetado da América Latina, com pelo menos 621 casos confirmados até quinta-feira, mais que o dobro em dois dias.

Apesar do clima majoritariamente tropical, as temperaturas começam a cair a partir de abril, quando gripes tendem a aumentar, disseram os especialistas.

– Nunca é um bom momento para o coronavírus chegar… mas este definitivamente não é um bom momento – disse Maria da Glória Teixeira, epidemiologista da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

As preocupações

As preocupações são compartilhadas em outras nações do hemisfério sul. A Austrália tem um número semelhante de casos confirmados, mas a expectativa das autoridades é de que a taxa aumente rapidamente com a chegada do inverno, expansão que também pode ocorrer na Argentina e no Chile.

Especialistas em doenças infecto-contagiosas afirmaram que não podem garantir se o novo coronavírus é sazonal, uma vez que seu surgimento não ocorreu há tempo suficiente para reunir informações. Entretanto, com doenças respiratórias como gripes e resfriados, cientistas acreditam que o ar frio causa irritação nasal e das vias respiratórias, o que deixa as pessoas mais suscetíveis a infecções.

No Brasil, os especialistas se demonstraram preocupados com a região sul, que, além de ser a mais fria do país, também tem uma população mais idosa, de acordo com o censo de 2010. No Rio Grande do Sul, 20% dos gaúchos estão acima dos 60 anos.

Quinta-feira marcou o último dia do verão. O governo prevê que o pico de Covid-19 acontecerá entre abril e maio, mas, com a mudança de estação, as estimativas também podem sofrer alterações.

Tânia Vergara, presidente da Sociedade de Infectologia do Rio de Janeiro, disse que o calor provavelmente enfraqueceu as chances de o vírus sobreviver em locais como maçanetas ou no ar.

– Isso é uma vantagem neste momento em que ainda está quente. Mas vai ser um desvantagem mais à frente – afirmou.

Teixeira, da UFBA, alertou sobre outro fator que pode complicar ainda mais a situação.

– Problemas sociais nas populações mais carentes são uma variável que sempre agrava epidemias.

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