China: corte de juros a partir de setembro

Arquivado em: Negócios, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 28 de agosto de 2019 as 10:54, por: CdB

A expectativa é que os cortes iniciais nas taxas sejam modestos, à medida que bancos e reguladores se acostumam ao novo sistema de precificação de empréstimos mais orientado para o mercado.

Por Redação, com Reuters – de Pequim

A deterioração dos laços comerciais entre a China e os Estados Unidos e reformas nas taxas de juros estão alimentando especulações de que a China começará a cortar os juros a partir do próximo mês, mas os banqueiros esperam que os custos dos empréstimos caiam apenas gradualmente, oferecendo suporte limitado à desaceleração econômica.

As autoridades chinesas precisam estimular o debilitado investimento para salvar empregos, mas grandes cortes nos juros podem alimentar um aumento adicional da dívida e reduzir as margens de lucro dos bancos, aumentando os riscos do setor financeiro.

Grandes cortes nos juros podem alimentar um aumento adicional da dívida e reduzir as margens de lucro dos bancos, aumentando os riscos do setor financeiro

Ainda assim, à medida que a economia esfria, analistas dizem que reformas marcantes lançadas na semana passada abriram caminho para os primeiros cortes nas principais taxas de juros da China em quatro anos, com uma ação esperada para meados de setembro, coincidindo com o esperado afrouxamento monetário pelo Federal Reserve.

A expectativa é que os cortes iniciais nas taxas sejam modestos, à medida que bancos e reguladores se acostumam ao novo sistema de precificação de empréstimos mais orientado para o mercado. O Banco do Povo da China não pressionará muito os credores a reduzir os juros no início, disseram analistas.

Para reduzir a pressão sobre os bancos, espera-se que o banco central reduza primeiro seus custos de financiamento reduzindo a taxa de empréstimo de médio prazo (MLF, na sigla em inglês). Isso abrirá as portas para corte na nova taxa básica de empréstimos (LPR, na sigla em inglês) do Banco do Povo da China na próxima vez que for definida, em 20 de setembro.

A MLF forma a base da nova taxa LPR, mas os bancos podem adicionar um prêmio para refletir os custos de financiamento e os riscos de crédito.

“Seja qual for a taxa final, as margens líquidas dos bancos menores serão reduzidas com certeza”, disse o chefe do departamento de um banco comercial, que pediu para não ser identificado.

No que foi visto como um movimento simbólico, a LPR de um ano foi fixada em 4,25% na semana passada, uma queda de 6 pontos-base ante 4,31% anteriormente e 10 pontos-base abaixo da taxa de empréstimo de referência de um ano existente, que ainda se aplicará a empréstimos mais antigos. A MLF atual é de 3,3%.

Índices em queda

Os índices acionários da China fecharam em baixa nesta quarta-feira uma vez que a incerteza sobre a disputa comercial com os Estados Unidos ainda mantém os investidores nervosos, enquanto perde força o impacto positivo da última fase de inclusão de ações chinesas no MSCI.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,38%, enquanto o índice de Xangai teve baixa de 0,29%.

Mais cedo nesta semana, o presidente dos EUA previu um acordo comercial com a China após gestos positivos de Pequim, mas o Ministério das Relações Exteriores chinês disse que não está ciente de qualquer ligação feita aos EUA.

A questão envolvendo a credibilidade de Trump assumiu o palco central, disse Jingyi Pan, estrategista do IG Group. O mercado também perdeu suporte da inclusão no MSCI nesta quarta-feira. As ações chinesas subiram na sessão anterior, depois que o MSCI elevou o fator de inclusão das ações-A de 10% para 15% após o fechamento em 27 de agosto.