China alivia restrições enquanto aumentam mortes por coronavírus na Itália

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Publicado segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020 as 10:57, por: CdB

Após queda no número de infecções, Pequim pede retomada das atividades econômicas. Surto que já deixou cinco mortos no norte italiano gera preocupação nos demais países da Europa.

Por Redação, com DW – de Roma

Várias regiões da China relaxaram as proibições de viagem nesta segunda-feira em áreas afetadas pelo surto do coronavírus Covid-19, após a diminuição do surgimento de novas infecções. Ao mesmo tempo, crescem as preocupações na Europa com o aumento dos casos da doença no norte da Itália, onde cinco mortes foram confirmadas.

Foliã no carnaval de Veneza, onde vários eventos foram cancelados em razão do surto de coronavírus no norte da Itália
Foliã no carnaval de Veneza, onde vários eventos foram cancelados em razão do surto de coronavírus no norte da Itália

Nenhum novo caso foi detectado em 24 das 31 províncias chinesas, incluindo Pequim, onde não houve registros pelo segundo dia consecutivo, e Xangai. Estes foram os registros mais positivos desde que a Comissão Nacional de Saúde iniciou a divulgação diária das ocorrências, no dia 20 de janeiro. Segundo os números oficiais, desde o início do surto em dezembro, o coronavírus contagiou 77.936 mil pessoas e matou 2.442 mil na China.

Desde o domingo, foram confirmados apenas 11 novos casos em seis províncias, enquanto em Hubei, o epicentro do surto do Covid-19, as infecções caíram de 630 para 398 em apenas um dia. As autoridades de Wuhan, onde o surto teve início, chegaram a anunciar que as pessoas que estivessem em boas condições de saúde poderiam deixar a cidade, mas acabaram cancelando a medida.

Neste domingo, o presidente Xi Jinping comemorou a tendência de queda e pediu a reativação das atividades econômicas e a reabertura do comércio nas províncias consideradas de baixo risco. As demais, segundo o líder chinês, devem permanecer concentradas no controle do surto.

Algumas fábricas, comércios e locais de construção fora de Hubei retomaram suas atividades, ainda que parcialmente. Muitos trabalhadores ainda não retornaram do feriado do Ano Novo chinês, que foi estendido em razão do surto. Em muitos lugares há escassez de matéria-prima e componentes industriais, o que fez com que as linhas de produção não pudessem ser totalmente restabelecidas.

O surto

Em razão do surto, o governo chinês adiou o Congresso Nacional do Povo, o encontro anual do Parlamento, com início marcado para o dia 5 de março. Nos 10 dias de duração do maior evento político do país, com cerca de 3 mil participantes, os parlamentares chineses aprovam leis e definem as metas econômicas para o ano que se inicia no calendário chinês. Ainda não foi divulgada uma nova data para a realização do Congresso.

Ao mesmo tempo em que a situação começa a demonstrar sinais de alívio na China, aumentam as preocupações com o surto do Covid-19 na Europa.

Na Itália, até o momento, em torno de 200 casos foram registrados desde a sexta-feira e cinco pessoas morreram, fazendo com que o país se tornasse o mais afetado fora da Ásia. Mais de uma dezena de cidades nas províncias da Lombardia e do Vêneto, com população combinada de em torno de 50 mil pessoas, foram colocadas sob quarentena.

Na noite de domingo, a Áustria chegou a suspender durante quatro horas o transporte ferroviário com o país vizinho em razão de suspeitas de infecção em dois passageiros. Após exames descartarem a contaminação pelo coronavírus, os trens voltaram a circular normalmente.

Comissão Europeia

A Comissão Europeia afirmou nesta segunda-feira que não considera suspender viagens entre países que integrem o espaço Schengen, onde há o livre trânsito entre fronteiras, mas informou que prepara um plano de contingências após o agravamento do surto no norte da Itália.

As restrições de viagens no espaço Schengen devem ser coordenadas entre os países, afirmou a comissária de Saúde da União Europeia (UE), Stella Kyriakides. “Até o momento, a Organização Mundial de Saúde não sugeriu a imposição de restrições, tanto ao comércio quanto ás viagens”, afirmou, acrescentando que uma missão da OMS chegará à Itália nesta terça-feira.

No Irã, um parlamentar da cidade de Qom informou que 50 pessoas teriam morrido apenas este mês em razão do Covid-19. Entretanto, o Ministério da Saúde rejeitou a declaração do político local e insistiu que o total de mortos em todo o país seria de 12. O órgão, porém, atualizou o número de infecções para 61 e confirmou que em torno de 900 casos suspeitos estão sendo verificados.

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