Cia Teatro Balagan comemora 20 anos com novo espetáculo no Rio

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Publicado quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019 as 15:06, por: CdB

A temporada vai até 24 de fevereiro. Antes de chegar ao Rio, a peça fez várias temporadas pelo Brasil e na China, no Tang Xianzu International Theater Festival em Fuzhou.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Comemorando 20 anos, a paulistana Cia Teatro Balagan parte do Cangaço, dos movimentos de resistência ao Estado, dos conflitos conhecidos como revoltas, que sempre foram fortemente reprimidos ,e que findaram, em geral, com a decapitação e exposição das cabeças de seus líderes , para formar um painel único do Brasil na peça Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam, dirigida por Maria Thaís, com dramaturgia de Luís Antonio Abreu, direção musical de Dr. Morris, cenários e figurinos de Márcio Medina, que estreiou nesta quarta-feira, no Sesc Ginástico.

“Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam”

A temporada vai até 24 de fevereiro. Antes de chegar ao Rio, a peça fez várias temporadas pelo Brasil e na China, no Tang Xianzu International Theater Festival em Fuzhou, cidade com 3 milhões de habitantes. Prêmio Shell de Melhor Música (2016), para a direção musical de Dr. Morris, Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam é formada por 20 pequenas crônicas divididas em quatro atos.

Também no Shell a montagem foi indicada nas categorias Iluminação e Figurino. Recebeu ainda indicações ao Prêmio APCA na categoria Dramaturgia e ao Prêmio Aplauso Brasil nas categorias Direção, Iluminação Figurino e Espetáculo de Grupo. Cenário e 50 figurinos foram concebidos pelo premiado Márcio Medina. Bambu, papel e matéria orgânica servem de base para a criação visual.

Os atores aprenderam a criar e tocar rabecas, além de outros instrumentos. Marcada pela exuberância, a peça traz aspectos do cangaceiro e do samurai, da mitologia hindu e da indígena, da cabra de João Cabral e da cabra de Dionísio, do pandeiro e da rabeca, da dança dos caboclinhos e dos cantos das Caixeiras do Divino, dos estudos biomecânicos e dos arquétipos animais do Kempô em sua inspiração para o gestual dos corpos e a modulação das vozes – dos atores e das matérias da cena.

Cada ator transita por tantos lugares quanto são as acepções dadas à própria palavra cabra: animal, gente, homem, mulher, bandido, polícia, diabo ou as expressões (e mitos) populares como “cabra macho”, “cabra safado”, “cabra marcado”, “cabra da peste”, a “cabra cabriola”, “a puta cabra”, e tantas outras.

Como afirma a diretora Maria Thaís “para nós o termo evoca a potência transgressora do próprio animal, que não respeita cercas pois, como o poeta João Cabral de Melo Neto nos diz, “quem já viu cabra que fosse animal de sociedade?”.

O repertório musical e sonoro, investigado e praticado durante todo o processo de pesquisa, é resultado do trabalho de muitas mãos,  direção, atores, do músico Alício Amaral, professor de rabeca durante todo o processo de investigação, e, na versão final do espetáculo, contou com a direção musical de Dr Morris. Construída a partir de dois instrumentos principais, a voz e a rabeca,  a sonoridade é formada por cantos tradicionais (Brasil, México, Colômbia), cantos que remetem ao Cangaço, além de músicas especialmente compostas para o espetáculo.

Entre os destaques, um instrumento de percussão cujo som é obtido pela fricção da flecha através de um orifício localizado no arco. Apresenta estrutura semelhante à do arco para lançamento de flechas, daí ser conhecido também por esse nome.

É utilizado para a marcação da pulsação rítmica no folguedo caboclinho. A escrita de Luís Alberto de Abreu (conhecido por mais de 50 textos teatrais e colaboração em TV em séries como Hoje é dia de Maria e a novela Velho Chico) é explicada assim: “Foi um trabalho longo e bastante coletivo.

A inspiração veio principalmente da pesquisa dos temas Festa, Fé e Guerra que fizemos com o grupo e sobretudo com a diretora Maria Thaís. O universo da cultura ameríndia e principalmente o universo nordestino dos habitantes da caatinga e do cangaço foi o nosso material de pesquisa”, conta Abreu. Três anos e meio de viagens pelo país embasaram a investigação sobre as matrizes da cultura popular.

Serviço:

Cabras – cabeças que voam, cabeças que rolam. Cia Teatro Balagan – Dir. Maria Thaís.Estreia

Dia 13 de fevereiro, às 19h.

Temporada até 24 de fevereiro.

Dias: quarta-feira a sábado, às 19h; domingo às 18h. Duração: 120 minutos. Recomendação etária: 12 anos

Sesc Ginástico – Av. Graça Aranha, 187 – Centro, Rio de Janeiro

Tel: 21 2279-4027 | Lotação: 513 lugares. Ingressos: R$ 30 (Ingressos são vendidos na bilheteria do teatro de terça-feira a domingo, das 13h às 20h).

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