CIDH: não há dúvidas sobre violações de direitos no Chile

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Publicado quarta-feira, 20 de novembro de 2019 as 10:38, por: CdB

Para Comissão Interamericana de Direitos Humanos, é preciso apurar o alcance e as devidas responsabilidades por violações ocorridas durante onda de protestos, que já dura mais de um mês e deixou ao menos 23 mortos.

Por Redação, com DW – de Santiago

A onda de protestos que eclodiu em 18 de outubro no Chile já deixou 23 mortos e mais de 2,3 mil feridos. Cinco pessoas teriam morrido devido à intervenção de agentes de forças de segurança, e ao menos 222 tiveram lesões oculares graves, causadas principalmente por balas de borracha, segundo o Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH). Os policiais também são acusados de uso indiscriminado de gás lacrimogêneo na tentativa de dispersar manifestantes.

Confronto entre policiais e manifestantes em Santiago, em 19 de novembro
Confronto entre policiais e manifestantes em Santiago, em 19 de novembro

Para o secretário executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Paulo Abrão, houve violações aos direitos humanos durante as manifestações.

“Sobre violações aos direitos humanos (durante os protestos), não há dúvida de que ocorreram. A questão agora é medir qual foi o alcance disso, apurar as devidas responsabilidades e também individualizá-las, em vez de generalizar a situação”, disse, durante visita ao Chile na terça-feira.

Abrão foi ao país a fim de coletar informações sobre as dezenas de denúncias de violência cometidas por agentes em meio às manifestações. Em reunião com órgãos de direitos humanos desde segunda-feira, ele sugeriu que as violações devem ser levadas à Justiça chilena, que precisa implementar “medidas de reparação adequadas às vítimas” e esclarecer as circunstâncias em que ocorreram os abusos.

O INDH apresentou mais de uma centena de denúncias por parte de agentes de Estado. O diretor do órgão, Sergio Micco, disse, após receber uma missão da CIDH, que “é necessária uma profunda reforma da polícia chilena, uma tarefa que está sendo assumida pelo Congresso e que é essencial para superar bem esta crise”.

ONU

Em Londres, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e ex-presidente chilena, Michelle Bachelet, denunciou a “brutalidade policial” utilizada nos protestos no Chile, mas também em outros países como Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, França, Hong Kong, Líbano, Rússia e Espanha. Ao Chile, ela enviou uma missão da ONU para ouvir denúncias de violações de direitos humanos.

Nesta terça-feira, um dia após os protestos contra a desigualdade social terem completado um mês, novos embates entre manifestantes e forças de segurança foram registrados na capital Santiago. Os distúrbios ocorreram próximos à Praça Itália, onde centenas de pessoas vêm se concentrando para manifestações.

 

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