Cientistas constatam que atual cepa do coronavírus é ainda mais infecciosa

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Publicado sábado, 4 de julho de 2020 as 12:42, por: CdB

Os resultados iniciais da pesquisa, publicados em abril, foram criticados por não provar que a própria mutação causasse essa dominância, e outros fatores ou o acaso poderiam ser responsáveis. A equipe realizou experimentos adicionais, analisando os dados de 999 pacientes britânicos hospitalizados com a covid-19.

Por Redação, com DW – de Londres

A variante da síndrome respiratória covid-19, atualmente dominante nos casos globais, é três a seis vezes mais infecciosa do que a cepa original do novo coronavírus, constatou neste sábado um estudo recente publicado pela revista científica Cell. Pesquisadores do Laboratório Nacional Los Alamos, no Novo México, e da Universidade Duke, de Carolina do Norte, nos EUA, em colaboração com o consórcio de pesquisa Covid-19 Genomics UK (COG-UK), deduziram que a atual cepa do Sars-CoV-2, a D614G, apresenta uma pequena, porém significativa mudança na proteína que se projeta para fora da superfície do vírus, com a qual ele invade e infecta células humanas.

O vírus em circulação atualmente, no mundo, é de 3 a 6 vezes mais contagioso do que a cepa original
O vírus em circulação atualmente, no mundo, é de três a seis vezes mais contagioso do que a cepa original

Os resultados iniciais da pesquisa, publicados em abril, foram criticados por não provar que a própria mutação causasse essa dominância, e outros fatores ou o acaso poderiam ser responsáveis. A equipe realizou experimentos adicionais, analisando os dados de 999 pacientes britânicos hospitalizados com a covid-19, e constatou que quem contraíra a cepa mais nova apresentava mais partículas virais, mas sem que isso afetasse a severidade da doença.

O especialista norte-americano em doenças infecciosas Anthony Fauci comentou no Journal of the American Medical Association sobre a pesquisa de laboratório (da qual não participou).

— Acho que os dados mostram que uma mutação isolada faz o vírus replicar-se melhor, e talvez ter grandes cargas virais. No entanto, não temos uma pista de se um indivíduo sofre mais com isso ou não. Apenas parece que a nova cepa do Sars-CoV-2 seria mais transmissível — afirmou.

Impacto

Tal hipótese, contudo, ainda precisa ser confirmada: na atual fase, as conclusões só podem ser consideradas “prováveis”, uma vez que experimentos dessa ordem não reproduzem com precisão a dinâmica da pandemia. Embora a variante atualmente em circulação possa ser mais “infecciosa”, é possível que seja menos “transmissível” de pessoa para pessoa.

O virologista Nathan Grubaugh, da Escola de Saúde Pública de Yale, também nos EUA, igualmente não envolvido na pesquisa, diz não acreditar que os resultados vão ter grande impacto para o público em geral.

— Embora ainda sejam necessários estudos importantes para determinar se isso influenciará o desenvolvimento de medicamentos ou vacinas de modo significativo, não contamos que o D614G altere nossas medidas de controle ou piore os contágios individuais — constatou.

Em um resumo, Grubaugh acredita tratar-se, antes, de “uma olhada ao vivo na ciência em ação: uma descoberta interessante foi feita, potencialmente afetando milhões de pessoas, mas ainda não conhecemos sua dimensão nem impacto totais”.

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