Ciro lança ofensiva na mídia e reforça aproximação ao centro

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Publicado quinta-feira, 14 de junho de 2018 as 18:18, por: CdB

Candidato do PDT, Ciro Gomes visa ocupar o espaço do centro na política nacional, sem deixar de passar uma mensagem tranquilizadora aos grandes investidores estrangeiros e nacionais.

Por Redação – do Rio de Janeiro e São Paulo

Pré-candidato do PDT à Presidência da República, o ex-governador Cearense Ciro Gomes marcou um encontro com a centro-esquerda, nesta quinta-feira, na entrevista que concedeu ao cantor e compositor Caetano Veloso, na semana passada. À agência inglesa de notícias Reuters, no contrapeso, o economista Nelson Marconi seu coordenador da área econômica no plano de governo, acenou aos grandes investidores com a privatização das refinarias da Petrobras.

Ciro acena à centro-esquerda em entrevista ao artista Caetano Veloso
Ciro acena à centro-esquerda em entrevista ao artista Caetano Veloso

O programa de governo do “principal pré-candidato de centro-esquerda nas eleições presidenciais deste ano”, conforme o classifica a agência internacional, Ciro Gomes (PDT), prevê abertura do setor de refino de petróleo à concorrência. Com direito à alienação de ativos da Petrobras; além da permissão para que empresas privadas construam novas refinarias. Se vencer as eleições, Ciro quer o BNDES de volta ao perfil de banco de fomento; com taxa de juro mais barata.

Não obstante, segundo Marconi, a plataforma prevê uma atuação do Banco Central no mercado de câmbio que gere mais previsibilidade; em intervenções para que a cotação fique em torno de um determinado patamar. Além de um rearranjo de receitas e despesas com o objetivo de reduzir, rapidamente, a dívida pública.

Monopólio

Os tópicos foram destacados à Reuters pelo coordenador de programa do pré-candidato, que vem despontando como a alternativa dos eleitores mais de esquerda em pesquisas quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso há mais de dois meses, fica fora dos cenários.

— Refino, pelo amor de Deus, não precisa ser monopólio da Petrobras, que não deixa ninguém entrar neste mercado — afirmou na noite de terça-fera Marconi, de 53 anos.

Doutor em economia e professor da Fundação Getúlio Vargas, Marconi acrescenta que, “do ponto de vista do refino, a gente quer absolutamente aumentar a competição”.

— Você fica menos dependente de petróleo refinado importado — acrescentou.

Prevista em lei desde 1997, a abertura do setor de refino nunca aconteceu na prática; levando a Petrobras a exercer um monopólio que define preços para todas as distribuidoras de combustíveis do país.

— A tecnologia que as refinarias usam na Petrobras está meio defasada. Então tem que estimular de alguma forma o surgimento de outras refinarias com tecnologia que, inclusive, baixam os custos de produção — adiciona.

Consulta

A Petrobras, sob a gestão Temer, pretende vender 60% de sua capacidade de refino no país e no fim de abril lançou o projeto de se desfazer de quatro unidades, para criar dois pólos de refino no Nordeste e Sul do país. A venda de ativos da estatal, porém, enfrenta protestos de petroleiros e foi alvo do Tribunal de Contas da União (TCU).

Marconi disse ainda que a proposta para uma nova política de preços da Petrobras não está fechada. Mas adiantou como pressupostos a remuneração do capital e cobertura de custos; além da decisão de que a estatal não deve transferir para o consumidor as flutuações dos preços do petróleo e do câmbio no dia a dia.

A política de preços da Petrobras, com aumentos mais frequentes em linha com a cotação internacional do petróleo, foi apresentada pelo governo como uma forma de atrair investimentos para o setor, após forte intervenção estatal durante a gestão a presidenta deposta, Dilma Rousseff. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) abriu consulta pública sobre os repasses ao consumidor, numa tentativa de regular o tema.

Taxa de juros

A equipe do pedetista também avalia que é preciso retomar a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), recentemente substituída pela Taxa de Longo Prazo (TLP) como referência nos empréstimos do BNDES, para estimular investimentos em infraestrutura, e reduzir o ritmo de desembolsos do banco de fomento para o Tesouro Nacional.

Ainda no campo econômico, Marconi explica que o eventual governo de Ciro faria um corte de despesas correntes e tributação de lucros e dividendos, além da criação de novo imposto sobre movimentação financeira para transações acima de um determinado valor, que ainda está sob estudo na campanha.

— A gente vai colocar um imposto sobre lucros e dividendos e reduzir a tributação na pessoa jurídica para compensar, mas provavelmente vai ter algum ganho líquido de arrecadação. E a gente vai fazer algum imposto também sobre movimentação financeira, até reduzir a dívida e chegar num determinado patamar — adiantou.

Apoio ao mercado

Os mercados financeiros não veem Ciro com bons olhos, com avaliações de que ele poderia adotar medidas populistas e com pouca preocupação fiscal. Para Marconi, que mantém contato frequente com economistas do mercado, ao fortalecer a esfera produtiva, o mercado financeiro também será beneficiado.

— O Ciro é uma pessoa que tem experiência administrativa grande, foi governador (do Ceará), prefeito (de Fortaleza), ministro. Tem experiência e nunca fez nenhuma loucura, pelo contrário”. Acho que (a visão sobre Ciro) tem mudado mais rápido em relação ao meio empresarial. Eles percebem que estamos falando o tempo todo que estamos defendendo eles. Não estamos fazendo aqui uma revolução socialista, pelo contrário, queremos que gerem mais emprego — revelou.

Ciro, no entanto, exerce um discurso mais afinado com a centro-esquerda, na entrevista a Caetano Veloso, colunista do grupo de comunicação Mídia Ninja. Assista: