Ciro Nogueira assume Casa Civil para evitar impeachment, diz parlamentar

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Publicado quarta-feira, 28 de julho de 2021 as 14:24, por: CdB

A missão de Nogueira é articular de maneira politicamente competente a até hoje instável relação do presidente com a Câmara dos Deputados. Tão ou mais importante do que tentar pacificar a relação com o Legislativo, o novo ministro terá a tarefa de gerir a distribuição das verbas de emendas parlamentares de R$ 11 bilhões.

Por Redação – de Brasília

Quarto ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) – escalado no time titular governista na CPI da Covid – tomou posse na pasta, oficialmente, nesta quarta-feira, no lugar do general Luiz Eduardo Ramos. O ministério fora comandado por Onyx Lorenxoni e pelo também general Braga Netto.

Ciro Nogueira
Agentes da PF cumpriram mandados de busca em Teresina em investigação contra senador Ciro Nogueira (PP-PI), hoje ministro da Casa Civil

A missão de Nogueira é articular de maneira politicamente competente a até hoje instável relação do presidente com a Câmara dos Deputados. Tão ou mais importante do que tentar pacificar a relação com o Legislativo, o novo ministro terá a tarefa de gerir a distribuição das verbas de emendas parlamentares de R$ 11 bilhões – que alimentam as bases eleitorais dos deputados.

O general Ramos irá para a Secretaria-Geral da Presidência, que hoje é chefiada por Onyx Lorenzoni, um dos mais ferozes aliados de Bolsonaro. Para acomodar Ônix, o presidente vai recriar o Ministério do Trabalho (ou do Emprego e Previdência), extinto para ser incorporado pela Economia do então “superministro” Paulo Guedes.

Corrupção

Para a oposição, a engenharia do Planalto e dos caciques do bloco informal e o embarque de Ciro Nogueira no “time” de Bolsonaro são fáceis de explicar.

— É para cuidar junto com Artur Lira de R$ 16,5 bilhões (R$ 11 bi à Câmara e R$ 5,5 bi ao Senado) de emendas aleatórias para a base e não permitir o impeachment. O ‘Centrão’ e a corrupção institucionalizada no coração da política brasileira. Lamentável e escandalosa politicagem. Orçamento do relator, secreto e paralelo — disse à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA) o deputado federal Rogério Correia (PT-MG).

Politicamente, a fragilidade de Bolsonaro explica a conjuntura, na opinião do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

“A ida de Ciro Nogueira para a Casa Civil e a criação do Ministério do Trabalho apenas para dar mais cargos ao ‘Centrão’ são as provas de que Bolsonaro não manda em mais nada”, disse ele, nas redes sociais. Na opinião de Freixo, o chefe do governo “está fraco, isolado e humilhado, nas mãos do grupo político que ele passou a campanha atacando”.

Ficha corrida

Escolhido para ser o novo ministro da Casa Civil, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é alvo de cobranças da Receita Federal que somam R$ 17 milhões, segundo documento que consta de um dos inquéritos envolvendo o parlamentar. Os autos de infração que apontam os débitos foram lavrados nos anos de 2017 e 2018.

Um deles se refere ao suposto pagamento de propina de R$ 6,4 milhões pelas empresas JBS e UTC, sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Os auditores fiscais sustentam que houve omissão dos rendimentos e cobram o recolhimento dos impostos correspondentes aos cofres públicos. O outro caso está relacionado a transações financeiras envolvendo diversas empresas do senador que não foram devidamente declaradas, segundo o Fisco.

O senador contesta as multas em procedimentos, ainda não julgados, apresentados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Procurado ontem, Nogueira não se manifestou. Alvo de investigações da Lava Jato sobre o suposto recebimento de propina, Nogueira sempre negou ter cometido qualquer crime.

Há também há duas denúncias já apresentadas pela Procuradoria-Geral da República. Uma delas o acusa de receber propina da Odebrecht, enquanto a outra diz que ele obstruiu investigações, tentando mudar o depoimento de um ex-assessor do PP.

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