Ciro parte para cima do eleitorado de Doria e já conversa com economistas liberais

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Publicado terça-feira, 11 de maio de 2021 as 17:35, por: CdB

A principal adesão é a de Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo do ex-presidente de facto Michel Temer, com mestrado e doutorado na Universidade de Chicago, mais famoso centro difusor do liberalismo econômico mundial, a mesma instituição onde se formou o atual ministro da Economia, Paulo Guedes.

Por Redação – de São Paulo

Sem espaço na centro-esquerda, o presidenciável Ciro Gomes parte para cima do eleitorado da centro-direita, principalmente aquele em que o governador de São Paulo, João Doria, aparece em posição mais confortável do que ele. Gomes (PDT) indicou, nesta terça-feira, que pretende incluir economistas liberais em sua equipe de campanha.

Ciro Gomes tenta obter o apoio dos governadores petistas
Ciro Gomes tenta obter o apoio dos eleitores de centro-direita, que apoiam a candidatura do governador paulista, João Doria

A principal adesão é a de Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo do ex-presidente de facto Michel Temer, com mestrado e doutorado na Universidade de Chicago, mais famoso centro difusor do liberalismo econômico mundial, a mesma instituição onde se formou o atual ministro da Economia, Paulo Guedes.

Gomes e Castro conversaram por telefone, longamente, há duas semanas por iniciativa o economista, que se dispôs a colaborar com Ciro na parte econômica. Ficaram de conversar pessoalmente assim que a pandemia der uma trégua.

— Ele (Rabello) me ligou e me deu uma grande alegria, dizendo que estava vendo a minha luta e que tinha a vontade de ajudar — disse o presidenciável ao diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, nesta manhã.

Liberalismo

Ciro vem conversando com outros economistas liberais, entre eles dois dos pais do Plano Real, Persio Arida e André Lara Resende, que integraram o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, “mas apenas para trocar ideias”, disse o ex-governador cearense.

Os ex-ministros Delfim Netto e Luiz Carlos Bresser Pereira, além do professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo, todos defensores do papel do Estado na economia, também têm conversado com Ciro Gomes. No caso de Rabello, a ideia é que o contato inicial evolua para uma parceria. 

— Nós estamos buscando uma alternativa, um caminho verdadeiro para o Brasil — disse o economista, que também presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no governo Temer.

Este “liberalismo popular”, diz Castro, envolve mudar o foco da política econômica para o aumento na taxa de investimento na economia, reforma tributária e preocupação com a empregabilidade dos mais jovens.

— Você mal ouve falar em investimento, nesse liberalismo financista — acrescentou.

Eletrobras

O economista defende que o programa de privatizações seja mantido, mas com mudança de foco. O caso da Eletrobras, diz ele, é emblemático.

— Os financistas do governo querem pegar a Eletrobras e passar a ferro. A empresa está muito subavaliada — acrescentou.

Segundo Rabello de Castro, qualquer processo de venda de estatais deve envolver a pulverização do capital.

— Distribuir o capital estatal ao povo é essencial — afirma.

O economista afirma, ainda, que poderá ajudar na relação de Gomes com agentes de mercado, que ainda se assustam com a imagem estatista do candidato e seu discurso nacional-desenvolvimentista. É uma avaliação equivocada, diz ele, já que Ciro tem como propostas reforma tributária e incentivos às exportações, além de descartar intervenções abruptas do Estado na economia.

— Onde eu estiver, esse tal mercado vai saber que o Ciro vai errar muito pouco — concluiu.

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