Ciro quer distância do PT mas escolhe o mesmo vice de Lula

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Publicado sexta-feira, 27 de abril de 2018 as 16:23, por: CdB

Ciro também fez a avaliação, a uma plateia de sindicalistas, de que “esta eleição está para mim”, por conta do que ele chamou de “vácuo” criado pela provável inelegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba.

 

Por Redação – de São Paulo

 

O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, disse nesta sexta-feira que, se eleito em outubro, usará os meios democráticos para “destruir” o MDB, dizendo que atuará principalmente “tirando o oxigênio da roubalheira” que ele disse alimentar o partido do presidente de facto, Michel Temer.

Ciro tem sido um aliado histórico do PT; ainda que nem sempre alinhado ao programa da legenda
Ciro tem sido um aliado histórico do PT; ainda que nem sempre alinhado ao programa da legenda

Temer foi vice na chapa da presidenta deposta Dilma Rousseff (PT). O segundo em comando, na equipe de Ciro Gomes, seria Josué Alencar Gomes da Silva; filho do finado José Alencar, companheiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dois mandatos.

Ciro também fez a avaliação, a uma plateia de sindicalistas, de que “esta eleição está para mim”, por conta do que ele chamou de “vácuo” criado pela provável inelegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba.

— Uma coisa é certa no meu governo, o MDB me fará oposição e eu vou partir para destruí-lo pelo caminho das ferramentas democráticas, especialmente tirando o oxigênio da roubalheira, que é o que explica o tamanho do MDB — disse Ciro a jornalistas antes de dar uma palestra a sindicalistas.

Temperamento forte

O presidenciável acrescentou que há exceções no MDB “que merecem ser mencionadas, especialmente o (senador) Roberto Requião, que é um homem absolutamente digno e honrado”.

— Olha, vou dizer para vocês. Essa eleição está para mim. Eu sou um cara frio, tranquilo, eu sei que tem uma estrada tortuosa, mas essa eleição está para mim — disse Ciro.

O político cearense é conhecido pelo temperamento forte. Ele já se envolveu em episódios polêmicos nas suas duas campanhas presidenciais anteriores.

— Com a tragédia que está acontecendo com o Lula, a minha responsabilidade cresceu muito —ponderou.

Perversão

Ao mesmo tempo que evitou falar em uma aliança com o PT já no primeiro turno, Ciro disse na palestra aos sindicalistas, promovida pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), que o partido terá de definir a candidatura. Ele perguntou à plateia quem seria o candidato escolhido pelos petistas. Quando ouviu seu nome como resposta, rebateu afirmando que estava apenas levantando a questão.

— O PT está dizendo: o Lula é candidato. A gente vai condenar isso? Tem que ter paciência, tem que ter respeito… Agora vamos fazer aqui nós um cálculo, vamos pensar juntos: ele é candidato? Não vou responder. E se ele não for? O que o PT vai fazer? Calma, não vou responder nada, estou perguntando. Eu acho natural que o PT tenha candidato, natural — rebateu Ciro.

O presidenciável do PDT também classificou de “perversão” a reforma trabalhista aprovada pelo Congresso no governo Temer e disse que buscará revogá-la caso vença as eleições.

Vice em comum

Ciro Gomes disse também que pretende ter como vice um empresário do Sudeste. Ele afirmou que a prioridade é Josué Alencar. Trata-se do mesmo nome escolhido por Lula para sua chapa.

— Eu já disse a ele: se quiser, é dele — disse Ciro a jornalistas.

Inelegível

O pedetista também negou uma eventual a aliança com o PT e disse que Lula está inelegível, embora essa decisão ainda não tenha sido tomada pela Justiça Eleitoral.

— Eu tenho que respeitar isso com toda dignidade, é o momento que eles estão vivendo. Seu principal líder preso e eles constrangidos a uma solidariedade que ainda afirma a candidatura do Lula, mesmo preso e inelegível. Olho com respeito o tempo do PT, mas toco minha bandinha — afirmou. Ciro disse que a prisão de Lula é cruel, mas se coloca como alternativa para tirar o Brasil do buraco.

— Dói no meu coração ver um ex-presidente que fez tanto bem ao País preso. A política, entretanto, tem uma crueldade. Nossa responsabilidade é com o futuro de 206 milhões de pessoas. Minha solidariedade não me tira a disciplina de produzir uma alternativa para o Brasil, independentemente do destino do Lula e do PT — acrescentou.

Segunda instância

No entanto, ele evitou contestar as decisões tomadas pela justiça nacional.

— Não me parece ser a providência mais razoável fazer um acampamento com palavras de ordem insultando o Judiciário às vésperas do julgamento. Das duas uma: ou você confia nas instituições e recorre a elas para corrigir injustiças ou não confia — adicionou.

O ex-governador sinaliza, ainda, que está satisfeito com a prisão após a segunda instância.

— O mundo civilizado inteiro garante apenas dois graus de jurisdição para crimes comuns. É muito raro que se dê a um julgamento de crime comum quatro graus de jurisdição. O correto era corrigir a distorção institucional que, hoje, garante quatro graus de jurisdição — concluiu.

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