Ciro repete que Temer ‘é ladrão’, tenta fechar a Embraer mas será impedido

Arquivado em: Brasil, Últimas Notícias
Publicado quinta-feira, 2 de agosto de 2018 as 15:02, por: CdB

O candidato do PDT, Ciro Gomes, voltou a criticar a reforma trabalhista, as vendas de ativos da Petrobras e a tentativa de um acordo entre Embraer e Boeing.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

Candidato do PDT à Presidência da República, o ex-governador Ciro Gomes afirmou, na noite passada, em entrevista a uma das emissoras líderes do oligopólio da comunicação, no país, que o presidente de facto, Michel Temer (PMDB), seria culpado por receber propina e trabalhar contra o patrimônio brasileiro, ao promover uma onda de privatizações. Se eleito, afirmou, impedirá que se conclua a transferência de ações da Embraer para empresa formada com a Boeing.

— Eu sei, factualmente, que o Michel Temer é ladrão e por isso o chamo de ladrão — taxou Ciro Gomes.

Ciro Gomes disse que há uma 'quadrilha' agindo dentro do MDB
Ciro Gomes disse que há uma ‘quadrilha’ agindo dentro do MDB

Na entrevista aos jornalistas, após um longo debate sobre o caráter explosivo do candidato, Ciro afirmou que terá como foco na sua reforma tributária a tributação de lucros e dividendos e a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA); além de uma revisão de todos os benefícios fiscais concedidos a empresas nos últimos anos.

— O mundo inteiro cobra tributo sobre lucros e dividendos empresariais, só Estônia e Brasil que não. Eu vou propor cobrar — afirmou.

Segundo o pedetista, existe uma distorção no Brasil em que toda a estrutura econômica está montada para transferir renda de quem produz e trabalha para o sistema financeiro.

— Quem está ganhando mesmo no Brasil são os banqueiros e quem perde no Brasil são os trabalhadores e a produção — disse.

Impostos

O ex-ministro da Fazenda, no governo do presidente Itamar Franco, acrescentou que pretende rever “com lupa” os incentivos fiscais dados a empresas desde 2013, no governo de Dilma Rousseff, e que só ficarão aqueles que provarem que realmente trazer resultados para a produção e criação de emprego.

O candidato afirmou ainda que é preciso uma repactuação fiscal com Estados e municípios, que hoje estão sem condições de fazer investimentos e mas têm cada vez mais encargos.

— Hoje a federação é uma ficção — afirmou.

Para além de tributar lucros e dividendos e retirar impostos de empresas que reinvestem o lucro, Ciro afirma que o país precisa passar a adotar o IVA, o que não foi feito até hoje porque alguns Estados mais industrializados — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul — perderiam recursos em um primeiro momento.

— Mas é um sacrifício inicial que precisa ser feito — disse.

Ciro Gomes voltou a criticar a reforma trabalhista, as vendas de ativos da Petrobras e a tentativa de um acordo entre Embraer e Boeing.

— Vai ser desfeito (o acordo entre Embraer e Boeing). A Boeing está fazendo o serviço sujo do senhor Trump (Donald Trump, presidente dos Estados Unidos) que perdeu a concorrência para o vender caças ao Brasil. Por isso essa gente está comprando, para destruir a Embraer. Estão comprando para fechar a Embraer — registrou.

Ciro e o PT

O candidato lembrou que foi fiel a Lula durante 16 anos, e que se decepcionou com o ex-presidente.

— Tenho sentimentos de frustração. Não sei o que fiz para merecer esse tipo de tratamento dele — afirmou.

Sobre a condenação do petista, o ex-governador do Ceará afirmou que considera a sentença injusta. Ainda sobre alianças, o pedetista admitiu que pretende dialogar com o MDB.

— Pretendo ser presidente do Brasil e, portanto, quero dialogar com todos no Congresso — adiantou.

Atacou, porém, o que chamou de “quadrilha”, quando citou Temer.

— Com essas pessoas não terá conversa — avisou.

Impostos

Ainda sobre suas propostas no campo econômico, o candidato rechaçou aumentar impostos de pessoas físicas, mas disse que vai endurecer o jogo para as grandes empresas.

— Nossa carga tributária já está alta demais. E não devolve nada para classe média e devolve muito mal para o nosso povo. O mundo inteiro cobra taxa de lucros e dividendos de empresas, menos o Brasil e Estônia. Eu vou cobrar. Todo subsídio que não for necessário para estimular a indústria do Brasil será cortado — prometeu.

O candidato também disse que pretende ativar pesadamente a construção civil como medida para geração de emprego. De acordo com o pedetista, obras de saneamento básico e moradias populares seriam o maior foco.

Corrupção

Sobre os escândalos de corrupção público-privados deflagrados nos últimos anos, Ciro pediu separação dos corruptores e das companhias.

— Eu quero mostrar pro Brasil que quem é corrupto é gente. Empresas não são corruptas. Pretendo fazer acordos de leniência, como foram feitos nos Estados Unidos e na Alemanha. Que se punam os corruptos, mas que se salve as empresas e a memória intelectual — propôs.

Quando a pauta foi segurança pública, o ex-ministro afirmou que pretende aumentar o efetivo de inteligência da Polícia Federal para estudar o crime organizado.

— É preciso mapear o crime organizado seguindo o dinheiro e fazer uma segregação carcerária para que os líderes não comandem o tráfico de dentro dos presídios — apontou.

Gastos em saúde

Ele ainda se disse contra a diminuição da maioridade penal, pois acredita que o tráfico seguirá recrutando crianças mais jovens.

Sobre saúde, o pedetista disse que pretende alocar mais verbas para que a mortalidade infantil volte a diminuir no país e criticou o governo Temer:

— O que se pode fazer com um país que congela por 20 anos seus gastos com a saúde?

Iluminista

Em mais um crítica pesada ao governo atual, Ciro classificou a reforma trabalhista como “uma selvageria” e disse que pretende fazer uma nova reforma para modernizar as relações de trabalho no Brasil sem que os empregados fiquem à mercê dos patrões.

No último bloco da sabatina, Ciro Gomes respondeu rapidamente a última série de perguntas feitas pela mesa. O candidato disse que não descarta projetos de privatição e que pretende estudá-los e apresentá-los caso eleito, mas reiterou que “petróleo e hidrelétricas não se privatizam”. Ele ainda classificou seu possível governo como iluminista:

— A discussão de nenhum assunto será tabu — conclui.

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