Clubes pensam em remuneração por produtividade

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Publicado sexta-feira, 5 de dezembro de 2003 as 10:59, por: CdB

Cada vez mais abalados financeiramente, os clubes de futebol do Brasil tentam ganhar fôlego com um debate sobre as alternativas para ajudá-los a deixar o período negro para trás.

O Fórum do futebol, organizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), levantou propostas como o pagamento por produtividade, a desvinculação da multa contratual de acordo com o salário e a unificação de uma norma sobre o clube formador do atleta.

“O futebol está com problemas. Gostaria que os resultados (do debate) fossem levados ao Estatuto do Desporto, senão os clubes terão problemas para sanar suas contas”, disse Antônio Carlos Aidar, coordenador do trabalho desenvolvido pela FGV.

De acordo com o diagnóstico, não existe critério de balanço nos clubes, e estes gastam mais do que arrecadam. Além disso, segundo Aidar, as leis relativas ao esporte mudaram seis vezes nos últimos anos.

Ele recomendou mudanças ao deputado Gilmar Machado (PT-MG), relator do Estatuto do Desporto, que explicou que tem até o dia 10 deste mês para a implantação de emendas.

Enquanto se discutia a teoria dos problemas enfrentados pelo futebol brasileiro, os clubes admitiam suas fragilidades. Muitos deles têm atrasado salários dos jogadores e sofrem para conseguir receitas para contratações.

“O problema salarial tem sido o calcanhar de Aquiles dos clubes. Os clubes perderam muito com as alterações nas leis…O estatuto do Desporto é a nossa chance de buscar entendimento”, declarou o diretor executivo do Atlético Mineiro, Sérgio Bruno Coelho.

O presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, também comentou as “dificuldades legais”, mas descartou um modelo único para os clubes.

“Sou um defensor intransigente da autonomia dos clubes. Cada um tem seu modelo e empatia com sua coletividade. Sou crítico de uma política coordenada”, disse Contursi, destacando a política do “bom e barato” desenvolvida pelo Palmeiras na campanha de volta à Série A em 2003.

O ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, defendeu um calendário organizado e a modernização dos estádios. “O calendário é a espinha dorsal da estrutura de organização do futebol brasileiro. Devemos modernizar as arenas e buscar instrumentos de profissionalização.”

TV no futebol

Com a crise batendo à porta, a salvação dos clubes nos últimos anos tem sido a receita dos direitos de televisão. É através dela que os times tentam saldar suas folhas de pagamento.

“A relação entre esporte e mídia televisiva é umbilical. Não é possível vender camisa se não tem exposição em TV aberta”, disse o diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, enfatizando que é sempre o “mercado que dita o preço” das negociações entre TV e clubes.

O diretor citou ainda uma pesquisa feita pela emissora, que prevê que a torcida do Corinthians será a maior do país em 8 a 10 anos. Atualmente, o time paulista, campeão de transmissões da Globo, é o segundo time mais popular, ficando atrás do Flamengo.

Campos Pinto destacou também a importância de se fazer pesquisas para saber o que o torcedor quer. Ele acha que é preciso fazer uma pesquisa com os torcedores antes de definir o formato do Campeonato Brasileiro.

Para 2004, a CBF já anunciou a manutenção do sistema por pontos corridos. “Acho que a CBF precisa publicar o calendário dos próximos quatro, cinco anos, mas que seja precedido por um amplo debate e pesquisa com o torcedor. O torcedor prefere campeonatos com finais. Temos pesquisa sobre isso”, afirmou o executivo, que já tinha defendido anteriormente o sistema de mata-mata.

J. Havilla, dono da empresa de marketing esportivo Traffic, alertou que o futebol brasileiro precisa de credibilidade para atrair investimento externo.

“Não se iludam, o futebol precisa de organização e seriedade”, disse Havilla.