COI vê aumentar resistência à realização dos Jogos de Tóquio

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Publicado quarta-feira, 18 de março de 2020 as 11:24, por: CdB

O Comitê Olímpico Internacional (COI) está enfrentando seu maior desafio em décadas, desde que comunicou aos comitês nacionais, nesta quarta-feira, sobre o estado da Olimpíada de Tóquio 2020 em meio à pandemia de coronavírus.

Por Redação, com ABr – de Tóquio/Brasília

O Comitê Olímpico Internacional (COI) está enfrentando seu maior desafio em décadas, desde que comunicou aos comitês nacionais, nesta quarta-feira, sobre o estado da Olimpíada de Tóquio 2020 em meio à pandemia de coronavírus, à medida em que aumentam as vozes discordantes.

Doença já matou mais de 7,5 mil pessoas e atingiu 200 mil no mundo
Doença já matou mais de 7,5 mil pessoas e atingiu 200 mil no mundo

O COI continua comprometido a realizar os Jogos de Tóquio entre 24 de julho e 9 de agosto, tendo dito na última terça-feira, após uma reunião com federações esportivas internacionais, que as medidas contra o vírus estão dando resultado.

O coronavírus já matou mais de 7,5 mil pessoas e infectou cerca de 200 mil no mundo todo e, atualmente, a Europa é seu epicentro.

A instituição olímpica se recusou a cogitar publicamente um cancelamento ou adiamento como opções possíveis, apesar de outros grandes eventos – como os torneio de futebol Euro 2020 e Copa América e o Grand Slam de tênis de Roland Garros, terem anunciado adiamentos na terça-feira.

O vírus também está prejudicando os torneios de classificação para a Olimpíada, já que os atletas têm dificuldades para treinar, viajar e competir e muitas eliminatórias estão sendo canceladas ou adiadas.

Tóquio deve receber cerca de 11 mil atletas, e 53% já garantiram vaga nos jogos. Os demais obterão as suas através de classificatórias modificadas ou por desempenhos anteriores baseados no ranking.

Soluções apropriadas

Nas circunstâncias excepcionais da atualidade, disse o COI, é preciso encontrar soluções que sejam apropriadas, embora elas possam não ser ideais para os atletas.

“Esta é uma situação excepcional que exige soluções excepcionais”, disse o COI à agência inglesa de notícias Reuters em um comunicado emitido nesta quarta-feira.

“O COI está comprometido em encontrar uma solução com o menor impacto negativo para os atletas, ao mesmo tempo em que protege a integridade da competição e da saúde dos atletas”, disse.

“Nenhuma solução será ideal nesta situação, e é por isso que estamos contando com a responsabilidade e a solidariedade dos atletas”, acrescentou o COI.

O COI recebeu o apoio da Panam Sports, organização que representa 41 comitês olímpicos nacionais das Américas.

Hayley Wickenheiser, membro do COI, classificou a decisão de seguir em frente com o Jogos de “insensível e irresponsável”, o ataque mais explícito ao organismo olímpico desde que o presidente Thomas Bach tomou posse em 2013.

Comitê Olímpico Brasileiro

O vice-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e chefe da missão do Time Brasil em Tóquio, Marco Antonio La Porta, disse que o país deve chegar aos Jogos Olímpicos com mais de 280 atletas. A gente conta com a torcida de todos. Nossos atletas estão muito bem preparados e animados”, afirmou. O governo japonês descarta a possibilidade de cancelamento das competições por causa da pandemia de coronavírus.

A estimativa do COB deve se se confirmar em meados de junho, poucos dias antes do embarque da delegação para o Japão. Isso porque algumas modalidades ainda precisam passar por disputas classificatórias. O chefe da missão brasileira nos Jogos contou ao programa Impressões, da TV Brasil, que foi ao ar nesta quarta-feira, às 23h, como a equipe verde-amarela está se preparando para o evento.

A meta, segundo ele, é manter o Brasil no patamar conquistado nos Jogos do Rio, quando a equipe teve o melhor resultado da história em Olimpíadas. Os brasileiros ficaram em 13º lugar no quadro de medalhas, com 19 posições nos pódiuns, sendo sete medalhas de ouro.

– A gente acredita que possa, se não superar o resultado do Rio, chegar muito próximo. Fizemos 17 (medalhas) em Londres e 19 no Rio. Se passar de 20, ótimo. A gente vai realmente ter atingido um objetivo que só a Grã-Bretanha atingiu: depois de organizar os Jogos, conseguir um resultado melhor nos seguintes, fora de casa – disse.

Para garantir a meta, um trabalho intenso de preparação, tanto de atletas, quanto do quadro técnico, vem sendo feito desde o anúncio de Tóquio como sede das próximas disputas. Atualmente, 177 atletas estão classificados. O COB tem buscado garantir as condições para que esse grupo continue treinando para o Japão, além de apoiar as equipes que ainda precisam garantir vagas.

– Fizemos um estudo e os piores resultados do Brasil foram em Jogos realizados na Ásia e na Oceania. Principalmente por causa da questão do fuso horário, da alimentação e do deslocamento. A gente tentou minimizar esses desafios. Em conversa com a jornalista Katiuscia Neri, La Porta detalhou as medidas que incluem o treinamento de cozinheiros japoneses para o preparo de comida tipicamente brasileira até a construção de nove bases de aclimatação para as equipes chegarem antes do previsto e se acostumarem com a diferença de horário entre os países.

– Tudo o que a gente tentou foi minimizar o impacto para o atleta. Ele vai conseguir chegar no dia [da competição] bem alimentado, com tudo o que ele gosta de comer, adaptado ao fuso – disse.

Enquanto atletas de todo o mundo só podem entrar na vila olímpica no Japão de cinco a sete dias antes da primeira competição, a equipe brasileira poderá chegar, no mínimo, 10 dias antes, ficando em uma das bases montadas pelo COB. Isso vai garantir mais tempo para se adaptarem ao cenário dos Jogos.  “Ele vai ter toda a estrutura de treinamento, com fisioterapeuta, massagista, treinador e alimentação brasileira”, observou La Porta.

Toda essa estrutura de apoio, montada tanto em território nacional quanto em Tóquio, ocorre em meio à pandemia do coronavirus, que tem levado autoridades em diversos países a suspender eventos esportivos. La Porta admite que o cenário têm prejudicado atletas, que não podem disputar competições que serviriam como treinamento e até classificação para os Jogos Olímpicos. Mas, mantendo contato permanente com o Comitê Olímpico Internacional (COI) e com o comitê preparatório do Japão, o chefe da missão brasileira aposta na manutenção das Olimpíadas deste ano.

– A sinalização deles é de absoluta tranquilidade da realização dos Jogos, com a data prevista começando em 24 de julho e terminando em 9 de agosto. A ideia é que o pico do problema já tenha passado. Não estão trabalhando nem com medidas restritivas.

Novas Modalidades

O Brasil tem medalhas em 16 modalidades olímpicas tradicionais. Este ano, com a entrada de novos esportes, surf, skate, escalada, karatê e o baiseball, a participação brasileira nos pódiuns pode ser ampliada.

– Temos algumas modalidades que costumamos chamar de contribuintes do quadro de medalhas. São aquelas modalidades que nunca falham com a gente, voleibol, vela, judô e natação, que constantemente vão ganhando medalhas. Com a entrada do surf e do skate, a gente deve ter mais duas modalidades acrescentadas a essa lista de contribuintes.

No surf, Gabriel Medina e Ítalo Ferreira são as grandes apostas, mas o país também espera boas surpresas no karatê. Entre as conquistas tradicionais, a expectativa recai sobre disputas como a do futebol masculino, que vai tentar manter o título olímpico conquistado no Rio.

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