Colômbia investiga suposta invasão de seu espaço aéreo

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Publicado segunda-feira, 7 de abril de 2003 as 12:03, por: CdB

O governo da Colômbia investiga denúncias de camponeses de que aviões e helicópteros militares da Venezuela violaram o espaço aéreo colombiano, supostamente em apoio a guerrilheiros de esquerda que lutavam com paramilitares na fronteira entre os dois países.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que a denúncia é grave e precisa ser administrada com cautela.

As informações foram passadas por camponeses do município de La Gabarra, em área vizinha à fronteira entre os dois países, no Departamento de Norte de Santander.

Segundo eles, no dia 21 de março quatro helicópteros venezuelanos e um avião atacaram uma base paramilitar no lado colombiano da fronteira. Há relatos de que nove pessoas morreram no ataque.

Os camponeses disseram que as aeronaves invadiram o espaço aéreo para apoiar rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias de Colombia (Farc) e do Exército de Liberación Nacional (ELN), que lutavam com paramilitares.

“São informações que recebemos, inclusive depois de afirmações feitas por importante integrante do governo venezuelano, mas não temos certeza”, disse a ministra da Defesa da Colômbia, Marta Lucia Ramírez.

“Se forem corretas, seria muito grave, mas estamos investigando as informações nesse momento”, acrescentou.

As denúncias surgem depois que o vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, exigiu que a Colômbia contenha a violência paramilitar na região.

Nessa região tem havido intensa luta entre paramilitares e rebeldes das Farc e do ELN.

Álvaro Uribe e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vão se reunir pela segunda vez desde que Uribe chegou ao governo, no próximo dia 23, em San Cristóbal, na Venezuela.

No encontro está prevista a discussão de assuntos de segurança e temas diplomáticos, além de possibilidades do comércio bilateral.

A acusações de invasão de espaço aéreo acontece em meio a crescente guerra de palavras entre Colômbia e Venezuela sobre suposta negligência na região de fronteira entre os dois países, que é atravessada com frequência por rebeldes e paramilitares.