Congresso do “Povo” ou Constituinte Exclusiva

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado domingo, 17 de junho de 2018 as 18:17, por: CdB

Em nossas bases históricas se escondem estes limites, estabelecidos pelas elites dominantes e seus interesses extraordinários, na maior parte das vezes subservientes aos colonizadores.

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

A conjuntura nos atropela desde 2013, por uma ausência de sensibilidade e coerência políticas.

Afinal, sempre defendemos mudanças radicais no século passado, quando já considerávamos a lógica presidencialista de coalizão parlamentar, sempre refinanciada; uma distorção grave para transitarmos pela democracia com alguma sustentabilidade representativa e participativa.

O golpe de 1964 foi um grande alerta para uma esquerda ou, mesmo, para o diluído campo progressista, por estabelecer limites para o aprofundamento das necessárias reformas estruturais, pendentes e candentes, já em 1947, repetida em 1954 e formalizada na distensão lenta, gradual e segura, pensada e estabelecida por Golbery!

‘Fadas madrinhas’

Em nossas bases históricas se escondem estes limites, estabelecidos pelas elites dominantes e seus interesses extraordinários, na maior parte das vezes subservientes aos colonizadores; travestidos de cruéis fadas madrinhas esverdeadas, para dar tom ao padrão da moeda vigente; nem tão padronizada neste momento. E de crise estrutural do capitalismo, onde guerras regionais e comerciais são apenas um detalhe.

Quantas vezes reunimos para pensar o Brasil e desconstruir o Brazil ou Brazyl, como forma de encontrarmos um denominador comum para nossas aspirações soberanas de uma constituição livre, independente e emancipada do país? Se respondermos esta pergunta, encontraremos,será, o caminho de resolução destas cíclicas crises, contaminadas pela base insustentável desta hegemonia instalada, desde a ‘dita’ proclamação da república, de cunho patrimonialista e em estado corporativo elementar e subserviente, também cíclico.

Voltemos ao século passado e analisemos a trajetória de alguns partidos, mais especificamente, o PCdoB e o PT, para contextualizarmos a complexa estratégia contida na formatação de uma frente denominada, Brasil Popular, cuja ação atual é totalmente voltada para a construção de um congresso do “povo”.

Constituinte

De 1922, passando por 1980, não há nenhuma experiência de congressos, congregando filiados e simpatizantes com vistas à ouvir, debater e propor teses ao partido ou frentes constituídas. O PCdoB inclusive mantém intacta sua arcaica estrutura orgânica excessivamente centralizada, nada diferente da atual administração burocratizada do PT, que recusa a prática de consultas, referendos, plebiscitos.

Em momento algum estes partidos e seus movimentos satélites introduziram ferramentas democráticas para induzir radicalizações participativas de cunho eminentemente coletivo. Qual das 80 entidades, entre sindicatos, partidos e movimentos, realizou uma plenária envolvendo ao menos 30% dos seus militantes para refletir sobre os desdobramentos do golpe?

Fica a pergunta: Por que não uma constituinte exclusiva?

Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do Correio do Brasil.