Consequências e oportunidades que surgem com a crise do coronavírus

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Publicado terça-feira, 2 de junho de 2020 as 10:28, por: CdB

Ao longo da história da humanidade, sempre que houve grandes crises ou catástrofes, as consequências foram duramente expostas e surgiram novas oportunidades para melhorar ou piorar o mundo, a depender de quem interpreta essas consequências e ou lança mão dessas oportunidades.

Por Eron Bezerra – de Brasília

Ao longo da história da humanidade, sempre que houve grandes crises ou catástrofes, as consequências foram duramente expostas e surgiram novas oportunidades para melhorar ou piorar o mundo, a depender de quem interpreta essas consequências e ou lança mão dessas oportunidades.

Ao longo da história da humanidade, sempre que houve grandes crises ou catástrofes, as consequências foram duramente expostas
Ao longo da história da humanidade, sempre que houve grandes crises ou catástrofes, as consequências foram duramente expostas

O caos econômico e social que se abateu sobre a Alemanha, por exemplo, após a Primeira guerra mundial, foi o substrato onde germinou e se propagou as ideias reacionárias e obscurantistas do nazismo. Assim como dos escombros da segunda grande guerra surgiu a onda de lutas anticoloniais, patrióticas e revolucionárias que culminou com a independência e a liberdade de várias nações até então colonizadas, bem como estimulou experiências revolucionárias na China, Coreia, Cuba, Vietnã, dentre outras nações que iniciaram o processo de construção do socialismo.

Mas também forneceu substrato para que surgisse, no outro extremo desse espectro ideológico, o império norte-americano como uma espécie de barreira de contenção ao avanço dessas ideias progressistas, cuja arrogância na aplicação dessa política não tem limites.

Prática violenta e agressiva

Baseada numa prática violenta e agressiva de estímulo e financiamento a golpes de estado, sejam quarteladas ou golpes legislativos, essa retórica agressiva geralmente culmina com a invasão de nações soberanas, via de regra sem aval das Nações Unidas, cujo objetivo central é se apropriar e saquear os recursos naturais dessas nações e mantê-las sob seu jugo com o propósito de assegurar a hegemonia geopolítica dos Estados Unidos.

Essa tática, como regra, é precedida de uma demolidora campanha midiática visando desmoralizar e ou “demonizar” os alvos em potencial. A base dessa propaganda são as mentiras, acusações falsas, e a agitação em torno de bandeiras demagógicas, como se pôde constatar durante a campanha de Bolsonaro, cujas provas materiais estão agora sendo compiladas. Dois exemplos são emblemáticos nessa guerra sem regras:

A grosseira e ridícula campanha de que “comunista come criancinha”, disseminada mundo afora, por todos os meios e formas, no auge da “guerra fria”;

E a demagógica bandeira de combate à corrupção, quando todos sabem que os Estados Unidos são estimuladores e patrocinadores da corrupção e não seu contraponto, até mesmo porque a corrupção é inerente ao sistema capitalista. Mas sempre encontram “soldados” para levantar essa bandeira quando lhes é conveniente, baseada em fatos ou simulações, contra os alvos por eles previamente selecionados;

A crise do coronavírus se insere nesse cenário de consequências e oportunidades.

Ao desmascarar as teorias neoliberais de “estado mínimo”, esse cenário nos coloca diante da oportunidade de debater a importância dos estados progressistas, comprometidos com o bem-estar geral da população e não da máquina caça níquel a serviço dos banqueiros e demais bilionários, a que se converteu os estados e governos capitalistas neoliberais.

Tragédia

Se tivermos convicção do alcance dessa tragédia e não nos perdemos em detalhes secundários, é possível demonstrar para o conjunto da população que o tipo de estado que a classe dominante defende só cuida de seus interesses, como não poderia ser diferente.

O governo Bolsonaro

Tenho repetido, exaustivamente, que quando não se reage ao arbítrio, em algum momento você será vítima dele. E quando esse arbítrio se mistura com demagogia e estupidez o resultado é explosivo, como evidencia a pressão que o governo Bolsonaro tem feito para pôr fim ao confinamento social sob o argumento de que “a economia não pode parar”.

Escondem, por ignorância ou pura demagogia, que se não houvesse confinamento social a quantidade de pessoas contaminadas seria da ordem de 70% da população brasileira (147 milhões), como o próprio presidente alardeia, seguido do indefectível “e daí”?

E daí que se 147 milhões de pessoas (ou a metade) fossem contaminados, não apenas o precário sistema de saúde entraria de vez em colapso, como a economia igualmente seria paralisada, desta feita não pelo confinamento mas pela ausência de força de trabalho, na medida em que um enorme contingente de trabalhadores seria afastado de suas funções em decorrência da enfermidade, provocando outra despesa com seguro saúde.

Será que é tão difícil alguém perceber o quanto é frágil e estúpido essa tentativa de contrapor confinamento social com atividade econômica? As duas medidas podem e devem ser combinadas, mas é preciso que antes se faça testagem em massa para estabelecer o perfil da doença e permitir aos especialistas tomar as medidas adequadas.

Mas toda e qualquer medida racional depende da superação dessas intrigas de gabinetes e provocações baratas que diariamente o presidente e sua trupe lança contra o Congresso, o STF e as forças democráticas.

Razão pela qual a cada dia uma parcela crescente da população vai tomando consciência que Bolsonaro não mais reúne condições de governar, sendo o seu afastamento a 1ª medida objetiva a ser tomada para que o Brasil encontre a paz, a harmonia, retome a atividade econômica, volte a ocupar seu importante papel no cenário mundial e coloque as pessoas e a vida em primeiro lugar, e não os banqueiros como atualmente é feito.

Eron Bezerra, é professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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