Contrabando nuclear ameaça o mundo, diz ElBaradei

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Publicado segunda-feira, 8 de novembro de 2004 as 09:29, por: CdB

O mundo está em uma “corrida contra o tempo” para evitar o terrorismo nuclear, disse o chefe da agência nuclear da ONU nesta segunda-feira, citando um amplo mercado ilícito de materiais nucleares e radioativos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Mais de 24 empresas se envolveram na venda de materiais nucleares e mais de 60 incidentes de tráfico de material nuclear ou radioativo são esperados neste ano, disse Mohamed ElBaradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

– A ameaça de terrorismo nuclear é real e atual – disse ele a repórteres em uma conferência em Sydney sobre proliferação e terror nuclear.

– Temos que fazer o possível para trabalhar com o novo fenômeno chamado terrorismo nuclear, que surgiu entre nós após o 11 de setembro, quando percebemos que os terroristas se tornaram mais sofisticados e mostraram interesse em materiais radioativo e nuclear – disse ElBaradei.

Programas nucleares não declarados e descobertos na Líbia, Iraque e Coréia do Norte mostraram a existência de um amplo mercado ilícito para o fornecimento de artigos nucleares, disse ElBaradei. Foram registrados 60 incidentes de tráfico no ano passado, elevando o total na década passada para 630, e a taxa anual deverá crescer neste ano.

– Estamos numa corrida contra o tempo porque isso é algo para o qual não estávamos preparados – disse ele.

Grande parte dos equipamentos nucleares em questão tem outro uso além da fabricação de armas nucleares. Por isso, somente a tentativa de controlar as exportações de tecnologia não foi suficiente para controlar a proliferação, disse.

– Claramente, é hora de mudar nossas posições em relação à inacessibilidade a tecnologia nuclear. As barreiras técnicas para controlar os passos essenciais para enriquecimento de urânio e para projetar armas erodiram com o tempo – disse ElBaradei.

O chefe da AIEA exortou a comunidade internacional a adotar medidas para controlar partes sensíveis do ciclo do combustível nuclear, que ele classificou como urânio enriquecido e reprocessamento de plutônio.

A AIEA vê quatro ameaças potenciais de terrorismo nuclear: roubo de arma nuclear; criação de bomba nuclear usando materiais roubados; disseminação de material nuclear e um ataque contra uma instalação ou contra um veículo de transporte de material nuclear.

Governos aumentaram a segurança ao redor de usinas nucleares. O Canadá disse no mês passado que suas usinas foram projetadas para aguentar o impacto de um avião de passageiros. Mas as usinas, que ficam perto de vias de água por causa da necessidade de acesso à água para resfriamento, precisam de barreiras de proteção contra ataques com barcos.

Alguns países cogitam instalar mísseis antiaéreos ao redor de usinas nucleares e a Alemanha pretende instalar máquinas de fumaça para esconder as usinas ameaçadas de ataques com aviões de passageiros.

ElBaradei disse que também é necessária mais proteção para reatores médicos e centros de pesquisa. A região Ásia-Pacífico tem mais de 50 reatores de pesquisa e aceleradores em 15 países, disse.