Coordenador da campanha petista prega diálogo e fim da radicalização

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Publicado sexta-feira, 4 de novembro de 2022 as 15:30, por: CdB

Para Edinho Silva, “se existiu uma foto de Fernando Henrique e Lula na transição de 2002, por que nós não podemos construir essa foto agora com Bolsonaro e Lula, mostrando ao país que existe uma transição madura, adulta, dentro de um ambiente democrático? Isso seria um gesto que efetivamente baixaria a temperatura do Brasil”.

Por Redação – de São Paulo

Ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o hoje prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, um dos coordenadores da campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva defende a realização de um encontro entre o futuro presidente e o atual, Jair Bolsonaro.

Edinho Silva, Araraquara
Edinho Silva (PT-SP) trabalha para estabelecer um ambiente mais pacífico e seguro, após as eleições

— O presidente Lula ganhou as eleições graças a um amplo movimento democrático. Foi o movimento de todas as forças políticas e setores da sociedade brasileira, que reivindicaram a democracia. E, na polarização, impuseram uma derrota para aquilo que poderia ser o início de uma era fascista. Nós temos que entender que nós ganhamos num país dividido e polarizado. A vitória eleitoral ainda não é a vitória política — afirmou Edinho a jornalistas, nesta sexta-feira.

Temperatura

Ainda segundo o líder petista, “o primeiro passo tem que ser baixar a temperatura do Brasil”.

— O presidente Lula tem que tomar posse no ambiente de estabilidade institucional. Temos que criar as condições para tanto. Eu defendo que se abra um amplo diálogo com as próprias forças que foram derrotadas. Se tiver espaço, nós temos que abrir diálogo, inclusive, com o governo Bolsonaro. Ele pode até negar o diálogo, mas nós temos que sinalizar. Nós fomos os vencedores. Cabe a nós neste momento fazermos os gestos — acrescenta.

Para Edinho Silva, “se existiu uma foto de Fernando Henrique e Lula na transição de 2002, por que nós não podemos construir essa foto agora com Bolsonaro e Lula, mostrando ao país que existe uma transição madura, adulta, dentro de um ambiente democrático? Isso seria um gesto que efetivamente baixaria a temperatura do Brasil”.

Sem mágoas

O governo eleito, de acordo com o coordenador da campanha vitoriosa, no entanto, não pretende debater a anistia ao atual presidente Jair Bolsonaro. Lula, disse Edinho, “não foi eleito para perseguir ninguém, salientando que o petista não carrega mágoas”.

— O presidente Lula não ganhou a eleição para perseguir ninguém. Ele ganhou a eleição para melhorar a vida do povo brasileiro, para fazer com que o Brasil cresça com sustentabilidade e inclusão social. Foi para isso que o presidente Lula ganhou eleição. Nós estamos falando do maior estadista da história brasileira, um dos maiores do mundo. (…) O Lula é um ser humano bondoso, não carrega mágoas e tem o coração maior que ele — afirmou.

Questionado sobre uma possível anistia de Bolsonaro e de seus filhos, Edinho afirmou que não cabe ao Executivo debater se Bolsonaro será anistiado por eventuais crimes.

Estabilidade

“Denúncias de ilícitos? Isso é da esfera do MP, da PF e, em última instância, do Judiciário. Por que o Executivo, liderado pelo presidente Lula, se meteria nisso? A energia do governo Lula estará voltada para a solução dos problemas do país”.

Edinho defendeu, ainda, que Bolsonaro deveria repetir o gesto de Fernando Henrique Cardoso após a eleição de 2002 e convidar Lula para um encontro em Brasília. Segundo Edinho, a sinalização seria importante para trazer paz e estabilidade institucional ao país. O coordenador de campanha do presidente eleito diz ainda que o presidente eleito está aberto a diálogos com os partidos políticos.

— O que eu garanto é que o governo do presidente Lula estará de portas abertas para dialogar com todas as forças políticas, com todos os partidos. O presidente Lula construiu sua trajetória política dialogando, construído posições de unidade. Assim será no seu terceiro mandato —concluiu.

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