Coronavírus pode eliminar avanços nos serviços de saúde no curto prazo, alerta OMS

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Publicado segunda-feira, 31 de agosto de 2020 as 14:13, por: CdB

Mais de 90% dos países testemunharam transtornos nos atendimentos de saúde em resultado da pandemia de covid-19, e grandes avanços em cuidados médicos conquistados ao longo de décadas correm perigo de ser eliminados no curto prazo, mostrou uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por Redação, com Reuters – de Genebra

Mais de 90% dos países testemunharam transtornos nos atendimentos de saúde em resultado da pandemia de covid-19, e grandes avanços em cuidados médicos conquistados ao longo de décadas correm perigo de ser eliminados no curto prazo, mostrou uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Paciente é transferido para hospital em Madri durante pandemia de coronavírus
Paciente é transferido para hospital em Madri durante pandemia de coronavírus

A entidade sediada em Genebra alerta com frequência a respeito de outros programas que salvam vidas sendo impactados pela pandemia e enviou conselhos de mitigação aos países, mas a pesquisa apresentou os primeiros dados da OMS até o momento a respeito da escala dos transtornos.

“O impacto da pandemia de covid-19 em serviços de saúde essenciais é uma fonte de grande preocupação”, disse um relatório sobre o estudo publicado nesta segunda-feira. “Grandes avanços de saúde obtidos ao longo das últimas duas décadas podem ser eliminados em um período de tempo curto…”

A pesquisa inclui respostas de mais de 100 países colhidas de maio a julho. Entre os serviços mais afetados estão as imunizações de rotina (70%), o planejamento familiar (68%) e os diagnósticos e tratamentos de câncer (55%). Os serviços de emergência foram afetados em quase um quarto dos países que responderam.

A região do Mediterrâneo Oriental, que inclui Afeganistão, Síria e Iêmen, foi a mais prejudicada, seguida pela África e pelo sudeste da Ásia, mostrou o levantamento, que não envolveu as Américas.

Como mostrou a contagem mais atualizada da Reuters, acredita-se que o vírus já tenha matado quase 850 mil pessoas desde que os primeiros casos de covid-19 foram identificados, em dezembro passado.

Pesquisadores acreditam que mortes não relacionadas à covid também aumentaram em alguns lugares devido em parte aos transtornos nos serviços de saúde, embora estes possam ser mais difíceis de calcular.

A pesquisa da OMS disse que é “razoável antecipar que mesmo uma interrupção modesta em serviços de saúde essenciais poderia levar a um aumento de morbidez e mortalidade de outras causas que não a covid-19 no curto a médio prazos e no longo prazo”. Mais pesquisas são necessárias.

Ela também alertou que os problemas nos sistemas de saúde podem ser sentidos mesmo após o fim da pandemia. “O impacto pode ser sentido para além da pandemia imediata, já que, ao tentar colocar os serviços em dia, os países podem descobrir que os recursos estão sobrecarregados.”

Controle

A Organização Mundial da Saúde exortou os países a perseverar nas restrições para o combate à covid-19, e o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na segunda-feira que a abertura sem controle do vírus é uma “receita para o desastre”.

Tedros reconheceu que muitas pessoas estão se cansando das restrições e querem voltar à normalidade após oito meses do novo coronavírus.

– Queremos ver as crianças voltando à escola e as pessoas voltando aos locais de trabalho, mas queremos que isso seja feito com segurança – disse Tedros em entrevista coletiva.

– Nenhum país pode simplesmente fingir que a pandemia acabou – disse ele. “A realidade é que esse vírus se espalha facilmente. Abertura sem controle é uma receita para o desastre.”