Coronavírus e notícias falsas atingem economia chinesa

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Publicado sexta-feira, 31 de janeiro de 2020 as 14:50, por: CdB

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial de indústria caiu para 50,0 em janeiro de 50,2 em dezembro, informou a Agência Nacional de Estatísticas. A leitura ficou em linha com as expectativas de analistas e chegou à marca neutra de 50 que separa crescimento de contração.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Pequim e São Paulo

 

O crescimento da atividade industrial da China estagnou em janeiro, mostrou pesquisa oficial nesta sexta-feira, um vez que as encomendas de exportação caíram e o surto de um novo vírus ampliou os riscos para a segunda maior economia do mundo. O país tem sido, ainda, alvo de uma campanha sistemática, em nível mundial, de notícias falsas sobre o coronavírus.

Líder do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, e outras autoridades da cidade concedem entrevista coletiva sobre coronavírus
Líder do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, e outras autoridades da cidade concedem recente entrevista coletiva sobre coronavírus

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial de indústria caiu para 50,0 em janeiro de 50,2 em dezembro, informou a Agência Nacional de Estatísticas. A leitura ficou em linha com as expectativas de analistas e chegou à marca neutra de 50 que separa crescimento de contração.

Embora o PMI tenha mostrado que a atividade em algumas partes do setor se sustentou, economistas duvidam que a pesquisa forneça uma leitura relevante sobre a economia dados os recentes acontecimentos com o coronavírus e distorções devido ao feriado do Ano Novo Lunar.

Contraste

As novas encomendas de exportação voltaram a contrair após alta em dezembro pela primeira vez em mais de um ano, enquanto a produção desacelerou de uma máxima de vários meses mas permaneceu em território de expansão. As novas encomendas totais aumentaram a um ritmo ligeiramente mais forte do que no mês anterior.

Em contraste, a atividade no setor de serviços da China acelerou com o PMI subindo a 54,1 de 53,5 em dezembro, Entretanto, a agência alertou que o impacto do coronavírus não foi totalmente refletido na pesquisa e que mais observação é necessária.

Notícias falsas

Com o aumento das notícias sobre a epidemia causada pelo novo coronavírus, cresce também a difusão de mentiras, boatos e mesmo o uso político da situação por determinados grupos. Publicações nas quais o governo chinês teria, supostamente, perdido o controle sobre a situação e que existem soluções mágicas para curar uma infecção pelo vírus estão entre os mais difundidos.

Na outra ponta, a imprensa comercial também colabora com esse cenário caótico divulgando textos absolutamente especulativos, que auxiliam os criadores de boatos a dar um aspecto de realidade a suas postagens.

Um exemplo é a reportagem divulgada pelo site da revista especializada em economia Exame, da Editora Abril, com o titulo “Em simulação, coronavírus matou 65 milhões de pessoas”. A simulação foi feita em outubro por especialistas em saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos e nada tinha a ver com a atual epidemia.

Desespero

Era uma projeção com um vírus fictício, que teria origem em porcos, no Brasil. Mas a publicação aproveitou a situação para ganhar cliques. Sem se importar em difundir pânico.

O infectologista e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo Gerson Salvador avaliou que a situação é preocupante, mas não há motivo para desespero.

— (O novo coronavírus) É preocupante, com certeza. As autoridades internacionais têm de prestar atenção, desenvolver ações de vigilância, mas não é tempo de se desesperar — concluiu.

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