Coronavírus: sobe número de mortos e China alerta para mutação

Arquivado em: Destaque do Dia, Saúde, Últimas Notícias, Vida & Estilo
Publicado quarta-feira, 22 de janeiro de 2020 as 10:20, por: CdB

Autoridades anunciam medidas para conter infecções por vírus que causa pneumonia. Casos já passam de 400, e mutação poderia permitir maior disseminação da doença. OMS faz reunião sobre possível emergência global.

Por Redação, com DW e Reuters – de Pequim

As autoridades da China afirmaram nesta quarta-feira que o número de casos de infecção por um novo tipo de coronavírus saltou em mais de 100 desde o balanço divulgado no dia anterior, chegando a 440, e que o número de mortos subiu para 17.

Controle em aeroporto em Wuhan, na China: feriado de Ano Novo Lunar aumenta perigo de disseminação da doença
Controle em aeroporto em Wuhan, na China: feriado de Ano Novo Lunar aumenta perigo de disseminação da doença

A vice-ministra da Comissão Nacional de Saúde da China, Li Bin, disse a repórteres que todas as mortes foram registradas na cidade de Wuhan, na província central de Hubei. Ela alertou que existe a possibilidade de o vírus sofrer mutação e ocorrer uma maior disseminação da doença.

A comissão anunciou novas medidas para conter o vírus, considerando que milhões de pessoas viajam pelo país e ao exterior para o feriado do Ano Novo Lunar desta semana. Estas incluem desinfecção e ventilação de aeroportos, estações de trem e shopping centers.

A maioria dos infectados pelo novo coronavírus vive na metrópole chinesa central de Wuhan. Um mercado de peixes e aves da cidade é considerado o possível ponto de partida para o patógeno. No entanto, a fonte exata ainda não foi identificada. Existe a desconfiança de que as infecções se originaram de um animal.

OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) agendou para esta quarta-feira uma reunião de emergência em Genebra, na Suíça, para determinar se deve declarar uma emergência de saúde pública global por causa da nova doença viral, que se espalha pelo leste da Ásia e já chegou aos Estados Unidos.

As autoridades americanas confirmaram nesta terça-feira o primeiro caso da doença nos EUA. O vírus foi detectado perto da cidade de Seattle, no estado de Washington, em um homem que havia viajado à China, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O homem, que vive nos Estados Unidos e viajou esteve em Wuhan, foi hospitalizado por precaução. Os Estados Unidos estão agora expandindo seus controles nos aeroportos.

Macau também relatou um primeiro caso: uma executiva de 52 anos de Wuhan que chegou à região administrativa especial chinesa num trem expresso, segundo a autoridade de saúde local. A metrópole de jogos e entretenimento atrai um grande número de visitantes da China continental.

Casos individuais de doenças causadas pelo novo vírus foram relatados anteriormente na Tailândia, Japão, Coreia do Sul e Taiwan.

O novo coronavírus tem causado alarme por sua semelhança com o da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que também começou na China e matou um total de quase 800 pessoas entre 2002 e 2003.

O surgimento de um novo vírus

O surgimento de um novo vírus na China trouxe lembranças dolorosas de outra doença respiratória viral que causou estragos em todo o mundo e deixou as autoridades de saúde do país com dificuldade para recuperar a confiança do público.

Mas especialistas globais em saúde disseram que a China percorreu um longo caminho desde 2003, quando foi acusada de tentar encobrir um grande surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), um vírus anteriormente desconhecido que se acredita ter surgido nos mercados da província de Guangdong antes de se espalhar pelas principais cidades.

Ao menos 774 pessoas morreram em uma epidemia que atingiu quase 30 países.

Agora, quase 17 anos depois, autoridades do governo asseguram que aprenderam com os erros do passado, ao tentar conter a mais recente cepa mortal de pneumonia viral, que infectou 440 pessoas, principalmente na cidade de Wuhan, e matou nove desde que foi identificada, no final do mês passado.

Liu Heng, consultor do gabinete chinês, disse que o país levou quatro ou cinco meses para anunciar o surto de Sars ao público, e desta vez levou menos de um mês.

– Estamos fazendo muito melhor agora … Estamos prestando mais atenção à prevenção da epidemia – disse ele a repórteres.

Li Bin, vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde, afirmou nesta quarta-feira que desde 2003 a China estabeleceu novos procedimentos abrangentes para lidar com as principais ameaças à saúde.

– Com sistemas de prevenção e controle relativamente completos para doenças súbitas e infecciosas em vigor desde a Sars … e com o apoio de grandes massas do público, estamos confiantes na vitória – disse.

Um fator-chave observado por especialistas na China e no exterior tem sido a rápida divulgação de informações sobre a estrutura genética do vírus e a maneira como ele se espalhou pela população.

Li disse que Pequim aprendeu com suas experiências com a Sars e agora compartilha todos os dados relevantes com as partes interessadas internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

– A velocidade com que esse vírus foi identificado é prova das mudanças na saúde pública na China desde a Sars e da forte coordenação global por meio da OMS – disse Jeremy Farrar, especialista britânico em doenças infecciosas que também trabalhou no combate à Sars.

Especialistas dizem que as falhas ocorridas com a Sars foram causadas por um sistema de saúde com poucos recursos e supercentralizado, com pouca experiência em doenças infecciosas e nenhum mecanismo de divulgação de informações.

Os governos locais também estavam relutantes em assumir a responsabilidade pela rápida disseminação de infecções.

Desde então, Pequim estabeleceu o Sistema de Informação da China para Controle e Prevenção de Doenças, que conecta hospitais e clínicas em todo o país e relata surtos em tempo real. Também estabeleceu mecanismos específicos para novas cepas de pneumonia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *