Coronavírus: os tipos de máscaras e o quanto são eficazes

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Publicado sexta-feira, 3 de abril de 2020 as 12:57, por: CdB

Nas ruas, cada vez mais pessoas usam máscaras. Em alguns países, elas estão se tornando até mesmo obrigatórias. Porém, uma proteção eficaz contra a Covid-19 depende de vários fatores.

Por Redação, com DW – de Londres

O uso de máscaras se tornou obrigatório em muitas regiões da China desde o começo do surto do novo coronavírus. Outros países estão seguindo o exemplo, como a Áustria, que anunciou nesta semana a obrigatoriedade do uso de máscaras em todos os supermercados do país.

Com aumento da procura, máscaras cirúrgicas estão cada vez mais em falta no mercado
Com aumento da procura, máscaras cirúrgicas estão cada vez mais em falta no mercado

Ao contrário do que muitos pensam, a máscara serve mais para proteger as pessoas ao redor de quem a está usando do que propriamente quem está de máscara. Como os sintomas demoram para aparecer, praticamente todo mundo é considerado um potencial portador do vírus.

Portanto, a lógica por trás da obrigação de usar uma máscara é: se todos aderirem a ela, diminuirá o risco geral de infecção.

Máscaras cirúrgicas para a proteção de pacientes 

A máscara cirúrgica, que cobre a boca e o nariz, é usada principalmente por médicos e assistentes para não infectar pacientes na mesa de operação. Quando quem está usando a máscara tosse ou espirra, a maior parte das gotículas expelidas permanece na máscara.

No entanto, isso só funciona no longo prazo se a máscara for trocada regularmente e descartada de forma higiênica e segura. Na sala de cirurgia, a máscara deve ser trocada pelo menos a cada duas horas. A mesma máscara usada várias vezes pode perder rapidamente a sua função.

Máscaras de tecido também devem ser trocadas com frequência e lavadas com água quente para que os vírus não sobrevivam.

Proteção eficaz é uma combinação de fatores 

Quem usa a máscara pode se proteger de uma possível infecção através de gotículas e secreções que saem da boca quando outra pessoa espirra ou tosse, mas de forma muito limitada. Geralmente, o vírus entra no corpo pela boca, o nariz ou pelos olhos, e por isso, a higiene das mãos desempenha um papel importante.

A máscara cirúrgica, combinada com protetor ocular, serve mais como um lembrete constante para evitar levar as mãos ao rosto do que para proteger o usuário de gotículas portadoras do vírus.

Máscaras que oferecem melhor proteção 

Além das máscaras cirúrgicas, há também as máscaras que filtram o ar – tanto na versão descartável, feita a partir de fibra de celulose com um elemento filtrante e uma válvula expiratória, quanto de material sintético, à qual é acoplado um filtro.

Elas também são usadas em hospitais quando profissionais da saúde entram em contato com pacientes com doenças altamente infecciosas, e são usadas juntamente com outros EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), como protetor ocular, luvas, aventais e macacões descartáveis.

De acordo com as normas da União Europeia, estas máscaras são divididas em três classes de proteção – o chamado fator FFP (Filtering Face Pieces, Peças Faciais Filtrantes, em português).

Máscaras com nível de proteção FFP-1 são melhores do que as máscaras cirúrgicas, mas não oferecem a proteção desejada contra vírus. Elas são úteis, por exemplo, para as pessoas que trabalham com serralheria, carpintaria ou marmoraria, pois interceptam poeiras mais grossas.

Apenas máscaras da classe FFP-3 protegem o usuário de vírus, bactérias, fungos e, quando usadas corretamente, até de substâncias altamente tóxicas, como o amianto.

Em razão da atual escassez dessas máscaras, o Instituto Robert Koch, responsável pelo controle e prevenção de doenças na Alemanha, aconselha, se necessário, o uso de máscaras FFP-2 no caso de doenças infecciosas, algo que, no entanto, é controverso entre médicos.

Orientações da Anvisa 

No Brasil, as máscaras seguem a regulamentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Além das tradicionais máscaras cirúrgicas encontradas em farmácias, as máscaras com filtro – também utilizadas pelos profissionais de saúde para a proteção contra gotículas e aerossol – são os tipos N95, N99, R95 ou PFF2.

No dia 21 de março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma nota orientando os profissionais da saúde a utilizarem máscaras N95 ou equivalentes por um período maior que o indicado pelos fabricantes, desde que o objeto esteja em bom estado, limpo e seco.

Ainda de acordo com o comunicado, a Agência não orienta o uso de máscaras vencidas, mas indica o uso além do prazo de validade designado pelo fabricante. Isso porque muitos desses produtos têm indicação de descarte a cada uso. A indicação é necessária, já que muitos profissionais relatam baixos estoques para atender os pacientes graves em UTIs.

Como dito anteriormente, mesmo usando a máscara com filtro, a proteção só funciona em conjunto com outras medidas, ou seja, o cuidado rigoroso de higiene ao vestir os acessórios de proteção. Além disso, a limpeza e o descarte seguro de todos os itens utilizados durante o tratamento de pacientes com Covid-19, a doença respiratória provocada pelo novo coronavírus, são de igual importância.

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