Covid-19: Cientistas advertem que no Brasil podem morrer mais de 1 milhão

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Publicado sábado, 28 de março de 2020 as 13:38, por: CdB

Em um cenário onde sequer fosse aplicado o afastamento de apenas parte da população, o número projetado para o Brasil é de 1,15 milhão de óbitos.

Por Redação, com NYTimes – de Londres e Nova York, NY-EUA

A estratégia de isolamento parcial, ou vertical, defendida pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que consiste em manter apenas idosos e grupos de risco em casa, elevará o número de mortos em mais de 500 mil, segundo estudo do Imperial College of London, divulgado neste sábado. Este número é apenas metade do que se projeta para um cenário em que nada fosse feito no país para conter a dispersão do vírus Sars-CoV-2.

O Brasil tinha 3.904 casos confirmados de infecção por coronavírus, neste sábado, com 111 mortes causadas pelo Covid-19, informou o Ministério da Saúde em entrevista coletiva, o que significa 19 novas mortes confirmadas nas últimas 24 horas.

O número de nova-iorquinos na rua ainda é muito grande, para uma cidade que está, rapidamente, tornando-se o centro mundial da pandemia
O número de nova-iorquinos na rua ainda é muito grande, para uma cidade que está, rapidamente, tornando-se o centro mundial da pandemia

Em um cenário onde sequer fosse aplicado o afastamento de apenas parte da população, o número projetado para o Brasil é de 1,15 milhão de óbitos. Mesmo mantido o isolamento total, ao menos 44 mil pessoas tendem a morrer por causa do novo coronavírus. A nova pesquisa do Grupo de Resposta à Covid-19 do Imperial College, vai na contramão do que pregam os seguidores de Bolsonaro.

Modelagem

O grupo de cientistas vem traçando quase em tempo real, nos supercomputadores da instituição, projeções matemáticas do avanço da pandemia. Eles avaliam as ações em andamento. A atuação desta equipe fez o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson recuar sobre a ideia de adotar isolamento vertical. Ele foi foi diagnosticado com a covid-19, na sexta-feira.

Segundo o jornal The New York Times, estimativas feitas por esses cientistas também influenciaram a Casa Branca a ampliar as medidas de isolamento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também recomenda o isolamento social. Já Bolsonaro tem criticado governadores que determinaram fechar o comércio e diz ter receio de uma crise econômica.

O trabalho mais recente do Imperial College, divulgado na quinta-feira, expandiu a modelagem para 202 países. Liderados por Neil Ferguson, eles comparam possíveis impactos sobre a mortalidade em vários cenários: ausência de intervenções com distanciamento social mais brando, que chamam de mitigação, ou mais restrito, a supressão.

Matéria atualizada às 17h45 de 28 de março de 2020.

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