CPI vai atrasar entrega de relatório, para ouvir novos suspeitos

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Publicado segunda-feira, 20 de setembro de 2021 as 19:15, por: CdB

Renan acrescentou que as informações que chegam após as ações da Polícia Federal (PF) contribuem para alongar os trabalhos da comissão por mais uma ou duas semanas, para que ao menos mais seis depoimentos sejam tomados. O senador acrescentou que o relatório pode ficar pronto a qualquer momento a partir de quinta-feira.

10h49 – de Brasília

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) adiantou, nesta segunda-feira, que a apresentação do relatório à comissão, inicialmente prevista para o fim desta semana, tende a ser adiada para o início de outubro. Segundo Calheiros, “desdobramentos óbvios dos últimos dias” foram decisivos para o adiamento, como a operação de busca e apreensão de documentos em endereços da Precisa Medicamentos, uma das empresas investigadas pela CPI.

CPI da Covid
Líderes da CPI da Covid, da esq. p/ dir., os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente; Omar Aziz (OSD-AM), presidente; e Renan Calheiros (MDB-AL), relator; além do representante da oposição, Humberto Mota (PT-PE)

Renan acrescentou que as informações que chegam após as ações da Polícia Federal (PF) contribuem para alongar os trabalhos da comissão por mais uma ou duas semanas, para que ao menos mais seis depoimentos sejam tomados. O senador acrescentou que o relatório pode ficar pronto a qualquer momento a partir de quinta-feira, quando acontece o último depoimento da semana, mas os dados da Precisa não podem ser desprezados.

— Por enquanto, estamos acessando as últimas informações e ainda vamos colher os depoimentos — afirmou, a jornalistas.

Loja de armas

Renan Calheiros disse, ainda, que o relatório terá novidades em relação ao ex-governador do Rio Wilson Witzel e ao senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), a quem chama de “verdadeiro dono” dos hospitais federais do Rio de Janeiro.

Diante da pressão exercida tanto no Congresso quanto no Supremo Tribunal Federal sobre a família do presidente, dessa vez foi o filho ’04’ de Jair Bolsonaro (sem partido), Jair Renan Bolsonaro, que ameaça as autoridades do Legislativo brasileiro. Ele gravou um vídeo na manhã desta segunda-feira em uma loja que vende armas de airsoft e equipamentos letais, no qual cita a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que investiga ações e omissões do governo federal no combate à pandemia.

Na peça, divulgada no Instagram, Jair Renan aparece usando um boné com os dizeres “Make Brazil great again”, em referência a slogan de campanha do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, “Make America great again”.

Regimento

Diante da ameaça velada aos parlamentares, o senador Alessandro Vieira, integrante da CPI da Covid, apresentou um requerimento de convocação de Jair Renan. No documento, Alessandro Vieira pede que Jair Renan preste esclarecimentos sobre seus vínculos com o lobista Marconny Faria, além das supostas ameaças a parlamentares. “A lei vale para todos”, disse Vieira pelas redes sociais.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), que também integra a Comissão, afirmou nesta segunda-feira que levantará uma questão de ordem na CPI da Covid por causa de vídeo no qual Jair Renan fez ameaças aos senadores.

“Vou levantar uma questão de ordem na CPI contra as provocações nas redes sociais do Jair Renan, filho do Bolsonaro. Nós não estamos de brincadeira, e não vamos aceitar ameaças veladas. Já chega de molecagem com incitação à violência”, escreveu o parlamentar no Twitter.

Questão de ordem é conceito que diz respeito ao levantamento de dúvidas acerca da aplicação do Regimento Interno da Casa sobre um determinado tema.

Sem sigilo

Mãe de Jair Renan, a ex-mulher de Bolsonaro Ana Cristina Siqueira Valle teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados, em meio à investigação sobre “rachadinha” no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), atinge o período em que ela esteve casada com Jair Bolsonaro.

A Justiça autorizou ao Ministério Público do Rio de Janeiro acesso aos dados bancários de Ana Cristina de maio de 2005 a maio de 2021. Ela e Bolsonaro se separaram em junho de 2008, um divórcio litigioso com acusação de furto e relato de patrimônio não declarado do casal a partir de outubro de 2007, informa reportagem da Folha de S.Paulo.

Nos anos em que os dois estavam casados, eles também compraram cinco terrenos, uma sala comercial em Resende e uma casa em Bento Ribeiro, zona norte do Rio de Janeiro. Há indícios de que pelo menos duas dessas transações foram feitas com uso de dinheiro vivo. O Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que há suspeita de lavagem de dinheiro nas operações comerciais.

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