CPMI das Fake News quer acesso irrestrito a computadores do Planalto

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Publicado sexta-feira, 6 de dezembro de 2019 as 15:23, por: CdB

Os parlamentares querem o acesso aos IPs (o número de série de cada computador) e dados dos discos rígidos usados por servidores que trabalham no setor, no mesmo piso em que trabalha o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Este “gabinete do ódio” concentra o grupo formado por três servidores, revelou Hasselman.

 

Por Redação – de Brasília

O ambiente de confronto entre parlamentares do PSL, na Comissão Parlamentar de Inquérito que apura a disseminação de notícias falsas durante a campanha eleitoral de 2018 (CPMI das Fake News) tem elevado o risco de envolvimento do governo no escândalo. O chamado ‘gabinete do ódio’, instalado no terceiro andar do Palácio do Planalto, segundo denúncia da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), será alvo de uma devassa, conforme prometem os integrantes da Comissão.

Hasselmann alega que além de fake news, difamações também são disseminadas e que "não apanhará e ficará quieta"
Hasselmann alega que além de fake news, difamações também são disseminadas e que “não apanhará e ficará quieta”

Os parlamentares querem o acesso aos IPs (o número de série de cada computador) e dados dos discos rígidos usados por servidores que trabalham no setor, no mesmo piso em que trabalha o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Este “gabinete do ódio” concentra o grupo formado por três servidores ligados ao vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), o filho “02” do presidente, revelou Hasselman.

A deputada, hoje principal desafeto dos filhos de Bolsonaro, identificou os assessores Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz como autores de relatórios diários, com suas interpretações, sobre fatos do Brasil e do mundo. Eles seriam os responsáveis pelas redes sociais da Presidência da República.

Dinheiro público

A decisão de pedir acesso aos IPs e dados dos computadores desses servidores foi tomada depois do depoimento de Hasselmann, ex-líder do governo no Congresso, na CPMI, na quarta-feira. Ela acusaou os assessores do presidente de disseminar notícias falsas durante o horário de serviço.

— Vamos pedir a quebra dos IPs para localizar as máquinas. Se por um acaso tiver requerimento, e tiver provas concretas que existe computador dentro do Palácio do Planalto que faz a divulgação, claro que pode ser quebrado. Não podemos quebrar se não tiver prova. Tendo provas, nós vamos correr atrás — afirmou a jornalistas o presidente da CPI, senador Angelo Coronel (PSD-BA).

A Comissão vai apurar, segundo Coronel, se houve a aplicação de dinheiro público na disseminação de notícias falsas a partir do Palácio do Planalto.

— Obviamente, nós vamos correr atrás para ver se é dinheiro público que está sendo investido nessa prática. Se for, nós vamos indiciar os culpados e encaminhar para o Ministério Público Federal. E que aí se puna os verdadeiros culpados — acrescentou.

Modos operandi

Ainda segundo Joice Hasselmann, o chamado “gabinete do ódio” é integrado ainda pelo assessor especial da Presidência da República Filipe Martins, que é próximo ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “03” do presidente. O grupo, de acordo com a deputada, tem sido um dos mais ativos propagadores de notícias falsas e difamações.

— Estou mostrando o modus operandi, estou mostrando pessoas ganhando dinheiro público para atacar pessoas — garantiu, durante o depoimento.

Técnicos do Ministério Público Federal (MPF), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do próprio Congresso, que atuam em conjunto com a CPI, a partir destas informações, iniciarão uma fase de aprofundamento de coleta de provas quanto aos fatos relatados pela deputada.

— A partir daí, que se substancie a relatora. Vamos tentar fazer de tudo para fazer o banimento no País das fake news e dos perfis falsos. Não podemos mais permitir que as pessoas criem um perfil falso para atacar seus alvos. Temos é que fortalecer a democracia — afirmou Coronel.

Disparo

Joice Hasselmann falou à CPMI por mais de dez horas, em um depoimento marcado por muito atritos, baixarias e troca de acusações entre as alas em disputa no PSL, os “bivaristas”, ligados ao presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), e os “bolsonaristas”, próximos a Bolsonaro. Todos os funcionários do “gabinete do ódio” foram convocados para prestar depoimento na CPI, mas ainda não há uma data para isso acontecer.

Segundo Hasselmann, um único disparo de mensagens por robôs custa, em média, conforme a parlamentar, R$ 20 mil.

— De maneira, digamos, legal, comprovável imediatamente, (são destinados) praticamente R$ 500 mil, de dinheiro público, para perseguir desafetos. Essa é a função do ‘gabinete do ódio’. Nós estamos falando de crime. Caluniar, difamar e injuriar são crimes previstos no Código Penal”— revelou a deputada, que também foi alvo de ataques de bolsonaristas.

Joice afirmou não saber quem financia tal cadeia de difamação, mas sugeriu à comissão que “siga o rastro do dinheiro porque estamos falando de milhões”. Apesar de não apontar eventuais financiadores do esquema, a deputada declarou que boa parte das notícias falsas e campanhas difamatórias tem origem em gabinetes de políticos aliados do governo.

Procurado pela reportagem do Correio do Brasil, o Palácio do Planalto ainda não retornou às ligações.

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