Credibilidade do Facebook desaba diante escândalo mundial

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Publicado domingo, 25 de março de 2018 as 18:31, por: CdB

Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo do Facebook, pediu desculpas por “quebra de confiança” em propagandas publicadas em jornais na Grã-Bretanha e nos EUA.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Londres

 

Pesquisas de opinião publicadas no domingo nos Estados Unidos e na Alemanha indicam que a maioria do público está perdendo a confiança no Facebook com relação à proteção da privacidade, e a empresa resolveu publicar anúncios em jornais britânicos e norte-americanos para pedir desculpas aos usuários.

Dono do Facebook, Zuckerberg publicou anúncio neste domingo, pedindo desculpas
Dono do Facebook, Zuckerberg publicou anúncio neste domingo, pedindo desculpas

Menos da metade dos norte-americanos confia que o Facebook obedece às leis de privacidade dos EUA, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada neste domingo. Enquanto isso, uma pesquisa publicada pelo Bild am Sonntag, o jornal de maior circulação da Alemanha, mostrou que 60% dos alemães temem que o Facebook e outras redes sociais estejam causando um impacto negativo na democracia.

Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo do Facebook, pediu desculpas por “quebra de confiança” em propagandas publicadas em jornais como o Observer, na Grã-Bretanha, e New York Times, Washington Post e Wall Street Journal, nos EUA.

“Temos a responsabilidade de proteger as suas informações. Se não conseguimos, não merecemos”; afirma o anúncio. Aparece com um texto simples em um fundo branco; com um pequeno logotipo do Facebook.

Cambridge Analytica

A maior rede de mídia social do mundo está sob crescentes críticas na Europa e nos Estados Unidos e tenta reparar sua reputação entre usuários, anunciantes, legisladores e investidores.

Isso se deve às alegações de que a consultoria britânica Cambridge Analytica obteve indevidamente acesso às informações dos usuários; para construir perfis de eleitores norte-americanos. Estes, mais tarde; foram usados para ajudar a eleger o presidente dos EUA, Donald Trump, em 2016.

O senador norte-americano Mark Warner, principal democrata no Comitê de Inteligência do Senado; disse em uma entrevista no programa Meet the Press, da NBC, que “o Facebook não tinha sido totalmente aberto” sobre como a Cambridge Analytica usou dados do Facebook.

Quebra de confiança

Warner repetiu pedidos para que Zuckerberg testemunhe pessoalmente perante os legisladores dos EUA. Disse que o Facebook e outras empresas de internet estavam relutantes em enfrentar “o lado sombrio das mídias sociais”; e como elas podem ser manipuladas.

Zuckerberg reconheceu que um aplicativo construído por um universitário “vazou dados do Facebook de milhões de pessoas em 2014”.

— Isso foi uma quebra de confiança. Eu sinto muito por não termos feito mais na época — disse Zuckerberg. Ele reiterou, em seguida, um pedido de desculpas feito pela primeira vez na semana passada; em entrevistas na televisão norte- americana.

Credibilidade

As ações do Facebook caíram 14% na semana passada, enquanto a hashtag #DeleteFacebook ganhou força online.

A pesquisa Reuters/Ipsos revelou que 41% dos norte-americanos acreditam que o Facebook obedece a leis que protegem as informações pessoais dos usuários; ante 66% que confiam na Amazon.com; e 62% que confiam no Google. A pesquisa foi realizada de quarta a sexta-feira e teve 2.237 respostas.

Na pesquisa alemã publicada pelo Bild, apenas 33% acham que a mídia social teve um efeito positivo sobre a democracia; contra 60% que acreditam no oposto.

Estável

É cedo para dizer se a desconfiança levará as pessoas a sair da rede social. É o que disse a analista da eMarketer, Debra Williamson, em uma entrevista. Clientes de bancos ou de empresas em outras indústrias não necessariamente desistem delas depois de perder a fé nelas, disse ela. 

— É psicologicamente mais difícil abandonar uma plataforma como o Facebook; que se tornou muito bem enraizada na vida das pessoas — disse ela.

Dados fornecidos à agência inglesa de notícias Reuters pela empresa israelense SimilarWeb; que mede audiência online, indicaram que o uso da rede social nos principais mercados e no mundo permaneceu estável durante a semana passada.

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