Crianças presas na fronteira dos EUA podem sofrer trauma permanente, dizem especialistas

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Publicado quarta-feira, 25 de julho de 2018 as 12:01, por: CdB

Trump acabou com a prática de dividir famílias em junho, depois que gravações de áudio e vídeo de crianças chorando sentadas em jaulas provocaram revolta em todo o mundo

Por Redação, com Reuters – de Londres:

As crianças imigrantes separadas dos pais na fronteira dos Estados Unidos com o México correm risco de sofrer danos permanentes no corpo e na mente devido ao trauma, disseram especialistas em cérebro antes do prazo de quinta-feira para a reunião das famílias.

Criança dentro de ônibus com imigrantes perto de centro de detenção no Texas

– O estresse extremo no início da infância provoca uma vida inteira de suscetibilidade acentuada a uma série de dificuldades médicas e psicológicas – disse Daniel Weinberger, psiquiatra e neurologista, à Thomson Reuters Foundation.

– A separação dos pais entre estranhos em uma terra estranha é um estresse grave no início da infância, com implicações de longo prazo e permanentes para a saúde dos indivíduos – acrescentou Weinberger, diretor do Instituto Lieber de Desenvolvimento Cerebral da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

Cerca de 2,5 mil crianças foram separadas dos pais devido à política de “tolerância zero” do presidente dos EUA, Donald Trump, mediante a qual crianças foram enviadas a centros de acolhimento em todo o país e seus pais foram presos em centros de detenção ou prisões federais.

EUA

Muitas famílias entraram nos EUA ilegalmente, e outras pediram asilo em passagens de fronteira fugindo da violência na Guatemala, El Salvador e Honduras.

Charles Nelson, neurocientista e psicólogo da Universidade de Harvard, classificou as separações com um “ato desumano” que pode traumatizar novamente qualquer criança que tenha testemunhado uma crise em casa.

– Será que elas deixaram um país tumultuado ou com níveis altos de violência? Menciono isso porque, quando elas chegam à fronteira e são separadas, pode já existir uma suscetibilidade a novos traumas – disse ele em uma entrevista por telefone.

– Isso é escandaloso e completamente desnecessário. É um ato desumano. Nada de bom sairá de nada disso – afirmou Nelson, que passou décadas pesquisando o impacto de longo prazo em crianças adotadas e abandonadas em orfanatos.

Trump acabou com a prática de dividir famílias em junho, depois que gravações de áudio e vídeo de crianças chorando sentadas em jaulas provocaram revolta em todo o mundo.

Até segunda-feira pelo menos 879 pais haviam sido reunidos aos filhos, segundo documentos apresentados pelo governo e pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU).

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