Crise hídrica tende a se prolongar por anos a fio, alerta especialista em gestão

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Publicado quinta-feira, 26 de agosto de 2021 as 14:38, por: CdB

Na véspera, Albuquerque resolveu falar aos repórteres e anunciou um programa de redução voluntária voltado para consumidores residenciais, que começa na semana que vem. O governo diz que concederá descontos nas contas de luz de consumidores residenciais que economizarem energia elétrica.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

A crise hídrica porque passa o Brasil, no último século, supera qualquer estimativa dos analistas. Ciente quanto à extensão dos riscos de um racionamento consistente, nos próximos meses, o ministro das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, ainda não se pronunciou, claramente, sobre as ações de emergência necessárias ao enfrentamento da seca que atinge a totalidade dos reservatórios no Sudeste e Centro Oeste do país. O militar havia anunciado um pronunciamento, na segunda-feira, mas cancelou a convocação da imprensa.

racionamento de energia
O fornecimento de energia elétrica está ameaçado, em todo o país, devido à crise hídrica em curso

Na véspera, Albuquerque resolveu falar aos repórteres e anunciou um programa de redução voluntária voltado para consumidores residenciais, que começa na semana que vem. O governo diz que concederá descontos nas contas de luz de consumidores residenciais que economizarem energia elétrica, mas a medida está muito longe, ainda, de ser efetiva para a gestão energética.

Conta de luz

O ministro, no entanto, deixou antever que haverá um período de grandes dificuldades à frente ao informar que os meses de julho e agosto registraram a pior quantidade de chuvas nos reservatórios em toda a série histórica. Meteorologistas, contudo, advertem que o regime hídrico brasileiro está irremediavelmente comprometido, e a seca histórica tende a permanecer por anos ainda.

Os fatos, porém, não alteraram a percepção do ministro da Economia, o empresário Paulo Guedes, que mantém um olhar otimista sobre o futuro, apesar da sinalização em contrário. Nesta manhã, durante o lançamento da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, Guedes considerou irrelevante o aumento na conta de luz.

— Qual o problema de a energia ficar um pouco mais cara, porque choveu menos? — desconversou.

Subsídios

Mas a realidade, segundo analistas experimentados, é outra. A crise hídrica está lastreada em um modelo de gestão que levou os reservatórios das usinas hidrelétricas à exaustão. E precisará de muito tempo para serem devidamente recuperados, segundo o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) Gilberto Cervinski, mestre em Energia pela Universidade Federal do ABC (UFABC).

Guedes tenta “falsear a realidade”, alerta Cervinski, que criticou também as medidas para redução do consumo de energia anunciadas por Bento Albuquerque. Enquanto os consumidores residenciais sofrem com a segunda tarifa mais cara do mundo, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), os grandes consumidores recebem energia a preço de custo.

Além disso, o governo anunciou que vai pagar um bônus a esses grandes consumidores que reduzirem suas demandas energéticas. E o custo desses subsídios deve ser novamente repartido com os consumidores em geral.

— O que Guedes falou é que os trabalhadores vão pagar mais caro ainda. Mas os grandes, a classe dos ricaços, não. Estes ainda vão receber subsídios, que nós vamos ter que pagar. Essa é política energética que está em curso, o que é lamentável — disse Cervinski, nesta tarde, à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA).

Diferença

Estes subsídios, somados ao enfraquecimento geral da economia, tendem a levar ao fechamento de fábricas ou à redução de turnos, culminando no aumento do desemprego, segundo o especialista. Eles receberão R$ 600 a cada 1.000 kWh que forem poupados. Enquanto que, nos contratos firmados com esses grandes consumidores, a energia é fornecida ao custo de R$ 65 a cada 1.000 kWh.

— Essa diferença vai ser jogada para os outros consumidores. E, ao mesmo tempo, vai haver a demissão dos funcionários da empresa — resumiu Cervinski .

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