Crise militar sem precedentes se instala no governo Bolsonaro

Arquivado em: Brasil, Últimas Notícias
Publicado terça-feira, 30 de março de 2021 as 15:49, por: CdB

Diante dos motivos que levaram à queda de Azevedo e Silva, que se distanciou das ameaças institucionais frequentes, por parte do mandatário neofascista, os comandantes do Exército, general Edson Leal Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa e da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carlos Bermudez reagiram de imediato e entregaram os cargos.

Por Redação – de Brasília

A perda de consistência do governo Jair Bolsonaro (sem partido) junto às Forças Armadas ficou evidente, na manhã desta terça-feira, com a substituição simultânea dos três comandantes militares. Na véspera, Bolsonaro trocou seis ministros, entre eles o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

Os comandantes da Três Armas renunciaram, coletivamente, aos cargos em resposta à crise deflagrada por Bolsonaro

Diante dos motivos que levaram à queda de Azevedo e Silva, que se distanciou das ameaças institucionais frequentes, por parte do mandatário neofascista, os comandantes do Exército, general Edson Leal Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa e da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carlos Bermudez reagiram de imediato e entregaram os cargos. Os comandantes anunciaram sua decisão após reunião com o novo titular da Defesa, general Braga Netto.

Fontes disseram à reportagem do Correio do Brasil, nesta manhã, que a recusa de Azevedo e Silva em subscrever o objetivo de Bolsonaro de intervir nos Estados que decretaram confinamentos mais severos contra a covid-19, levaram as Três Armas ao estresse máximo. Há alguns dias, Bolsonaro teria exigido de Azevedo e Silva a saída de Pujol e, diante da firme recusa do militar, teria ficado furioso e anunciado que, se não pode trocar o comandante, “troco o ministro”.

Brilhante Ustra

A renúncia coletiva dos três comandantes é inédito na história do Brasil. Analistas observam que o gesto deixa claro que qualquer tentativa de romper as linhas do Estado democrático de direito e violar a Constituição seria impensável. A veia ditatorial do atual mandatário ficou clara em abril de 2016, durante a votação do impedimento da presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), no curso do golpe de Estado. Ainda deputado, Bolsonaro votou “pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra”, um torturador declarado durante a ditadura militar, algo classificado como “estarrecedor” por políticos e ativista dos direitos humanos.

No gesto dos comandantes, segundo afirmaram, as instituições de Estado deixam evidente que não participarão de nenhuma aventura golpista, mas buscam uma saída de acomodação para a crise, a maior na área desde a demissão do então ministro do Exército, Sylvio Frota, em 1977 pelo presidente Ernesto Geisel.

Reunião tensa

Ainda segundo apurou o CdB, o novo ministro da pasta, general Walter Souza Braga Netto tentou dissuadir os comandantes de deixar os cargos, durante a reunião desta manhã, mas não conseguiu demovê-los, na presença de Azevedo e Silva, que participou do momento tenso, no gabinete do ministro da Defesa. Após a decisão, vou divulgada apenas uma nota seca, na qual o Ministério da Defesa comunica que os três comandantes seriam substituídos.

Durante a reunião, o comandante da Marinha chegou a se exaltar com o novo ministro, Braga Netto. O almirante Ilques Barbosa alertou para o risco de uma mudança no cenário militar do país, de tamanha envergadura, gerar apreensão e afetar a imagem das Forças Armadas.