Crise no PSL: Bolsonaro confirma conversa com deputados

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Publicado quinta-feira, 17 de outubro de 2019 as 10:54, por: CdB

“Eu não trato publicamente desse assunto (PSL), converso individualmente. Se alguém grampeou o telefone, primeiro é uma desonestidade, tá ok?”, disse o presidente.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta quinta-feira que conversou com parlamentares antes de uma manobra de parte da bancada de seu partido, o PSL, para destituir o líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (GO), e colocar o filho do presidente Eduardo Bolsonaro (SP) no cargo, mas não comentou o conteúdo das conversas e disse que ter sido grampeado seria uma “desonestidade”.

Nesta semana, Bolsonaro disse que não falaria nada sobre a crise e possível da saída do PSL e criticou as especulações da imprensa brasileira em torno do assunto
Nesta semana, Bolsonaro disse que não falaria nada sobre a crise e possível da saída do PSL e criticou as especulações da imprensa brasileira em torno do assunto

– Eu falei com alguns parlamentares, me gravaram? Deram uma de jornalista? Eu converso com deputados. Eu não trato publicamente desse assunto (PSL), converso individualmente. Se alguém grampeou o telefone, primeiro é uma desonestidade, tá ok? – disse o presidente na saída do Palácio da Alvorada ao ser questionado sobre áudios que seriam supostamente de suas conversas com parlamentares, vazados na noite de quarta-feira.

Em uma das falas atribuídas ao presidente, divulgada pelo diário conservador carioca O Globo, Bolsonaro diz que faltaria apenas uma assinatura para “tirar o líder” e ressalta que o líder do partido e o presidente têm o poder de “indicar pessoas, de arranjar cargos no partido, promessa para fundo eleitoral por ocasião das eleições.”

Na quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse, ao sair do Palácio da Alvorada, que não falará nada sobre a crise e possível da saída do PSL. Bolsonaro criticou as especulações da imprensa brasileira em torno do assunto.

– Eu não tenho falado sobre esse assunto, não justifica [dizerem] que eu estou tumultuando a relação com o partido, que estou dividindo. Eu estou calado e vou continuar calado sobre esse assunto – disse.

Ainda de acordo com o presidente neofascista, o que interessa no momento é a transparência sobre as contas da sigla. Na última sexta-feira, ele e mais 21 parlamentares do partido requereram ao diretório nacional informações sobre onde os recursos do Fundo Partidário do PSL estão sendo empregados.

– O partido está com a oportunidade de se unir na transparência, não tem o lado A ou lado B – disse.

– Então, vamos mostrar as contas e não ficar, como vemos notícias por aí, de expulsa de lá, tira da comissão, vai retaliar… O partido tem que fazer a coisa que tem que ser feita, normal, não tem que esconder nada. Eu não quero tomar partido de ninguém, agora transparência faz parte, o dinheiro é público, R$ 8 milhões por mês – acrescentou.

Na segunda-feira, a Polícia Federal (PF) deflagou a Operação Guinhol, que teve como alvo o presidente do partido, Luciano Bivar. De acordo com a polícia, a suspeita é que os integrantes do PSL teriam “ocultado/disfarçado/omitido movimentações de recursos financeiros oriundos do Fundo Partidário, especialmente os destinados às candidaturas de mulheres, após verificação preliminar de informações que foram fartamente difundidas pelos órgãos de imprensa nacional”.