Crises do petróleo e do coronavírus levam inflação a evoluir, perto do campo negativo

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Publicado quarta-feira, 25 de março de 2020 as 16:41, por: CdB

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve variação positiva de 0,02% em março, depois de registrar alta de 0,22% em fevereiro, de acordo com dados informados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro

Os preços das passagens aéreas recuaram com força e a prévia da inflação oficial brasileira desacelerou em março, chegando ao menor patamar para o mês desde 1994 em meio ao registro da chegada do coronavírus ao Brasil. A situação econômica do país tem declinado desde o início de 2018, muito próxima da estagnação.

A inflação deve terminar este ano a 3,31%, uma alta de 0,02 ponto percentual em relação à semana anterior
A inflação deve terminar este ano no menor nível em mais de 30 anos, diante da estagnação da economia nacional

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve variação positiva de 0,02% em março, depois de registrar alta de 0,22% em fevereiro, de acordo com dados informados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa é a leitura mais baixa para um mês de março desde o início do Plano Real, em 1994. Nos 12 meses até março a alta acumulada do IPCA-15 chegou a 3,67%, contra 4,21% até fevereiro. O centro meta de inflação para este ano é de 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.

Restrições

Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,06% no mês e de 3,71% em 12 meses, na mediana das projeções.

Os dados para o cálculo do IPCA-15 foram coletados entre 12 de fevereiro e 16 de março, período em que a pandemia do coronavírus já causava fortes restrições no exterior, incluindo de viagens, e o Brasil começava a registrar os primeiros casos.

Segundo o IBGE, quatro dos nove grupos pesquisados tiveram deflação em março, com destaque para Transportes. A queda de 0,80% do grupo deu a maior contribuição negativa para o IPCA-15 do mês (de -0,17 ponto percentual). A inflação nesse grupo havia sido de 0,20% em fevereiro.

Somente os preços das as passagens aéreas recuaram 16,88% em março, terceiro mês consecutivo de deflação.

Mercados

Os combustíveis também recuaram 1,19%, após avanço de 0,49% em fevereiro, com quedas da gasolina (-1,18%), do etanol (-1,06%), do óleo diesel (-1,95%) e do gás veicular (-0,89%).
Já o grupo Habitação registrou queda de 0,28%, com os preços de Vestuário caindo 0,22% e os de Artigos de Residência recuando 0,05%.

Na outra ponta, Saúde e cuidados pessoais subiu 0,84% pressionado por itens de higiene pessoal, enquanto os custos de Alimentação e bebidas aumentaram 0,35%.

Diante das incertezas relacionadas ao coronavírus, o Banco Central reduziu na semana passada a taxa básica de juros a 3,75%, nova mínima histórica, e vem adotando várias medidas para injetar liquidez nos mercados num valor potencial de R$ 1,2 trilhão no sistema financeiro nacional.

O IBGE explicou que os preços de itens que compõem o IPCA-15 de março foram totalmente obtidos por coleta presencial, mas que devido ao coronavírus adaptações metodológicas estão sendo consideradas para que a próxima divulgação do índice seja baseada em coletas online e por telefone.

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