Cristiane Brasil, citada na Lava Jato, terá suplente acusado por pedofilia

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Publicado quinta-feira, 4 de janeiro de 2018 as 15:55, por: CdB

Ao deixar o cargo, na Câmara, a deputada federal Cristiane Brasil, sua cadeira ficará para o primeiro suplente. Nelson Nahim responde a processo por manter meninas de 8 a 16 anos em cárcere privado.

 
Por Redação – de Brasília

 

Cristiane Brasil, nova titular do Ministério do Trabalho, é citada em delação da Odebrecht; além de filha de Roberto Jefferson, criminoso confesso e preso em outro escândalo, o ‘mensalão’. Seu nome foi confirmado em nota do presidente de facto, Michel Temer. O substituto de Brasil na Câmara, Nelson Nahim (PSD-RJ), responde a processo por pedofilia.

Cristiane Brasil, do PTB, fez campanha para Aécio Neves. Foi citada na Lava Jato
Cristiane Brasil, do PTB, fez campanha para Aécio Neves. Foi citada na Lava Jato

Em nota, a assessoria de Cristiane Brasil diz que ela não é investigada pela Lava-Jato, mas não nega que tenha sido citada em delações. Ainda segundo a nota, ainda não foram apresentadas provas contra ela. O próprio emedebista mudou de ideia sobre a deputada. No ano passado, ela foi pessoalmente ao Palácio do Planalto com o pai para tentar comandar o Ministério da Cultura. Saiu sem o cargo.

Na ocasião, Temer ouviu assessores, que o desaconselharam a nomeá-la. Temiam, exatamente, o desgaste ao governo, ao nomear a filha de Roberto Jefferson para o ministério. Mas, segundo as regras do jogo no Planalto, sob o comando do PMDB; Temer premia quem é cúmplice.

— De lá para cá, Jefferson deu mais do que uma demonstração de que é fiel ao presidente. E Temer é um presidente grato aos aliados — disse a jornalistas um de seus principais interlocutores. No caso do PTB, Jefferson foi “Temer Futebol Clube” nos piores momentos do governo.

Denúncias

No fim de 2017, foi ele o primeiro dos aliados a anunciar que fecharia questão pela reforma da Previdência. E vestiu a camisa do governo ao propor que os partidos da base firmassem um “pacto” para não aceitar, durante a janela partidária, deputados que fossem infiéis na votação da reforma.

Temer não esqueceu. E quitou a dívida nesta quarta-feira, ao superar o próprio veto anterior a Cristiane.

Um frequentador do Jaburu tem outra avaliação. Ao ouvir do blog a explicação de que, nos corredores do Palácio do Planalto, a “coragem” de Temer é atribuída à sua “gratidão” aos aliados em momentos difíceis, este diz:

— O governo passa a impressão de que, após as denúncias, adotou o mantra daquele deputado que o PTB disse que queria indicar: está ‘se lixando’ para a opinião pública.

Suplente

Ao deixar o cargo, na Câmara, a cadeira de Cristiane Brasil ficará para o primeiro suplente: Nelson Nahim. A informação foi confirmada pela Mesa Diretora da Câmara.

Nahim é irmão do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Ele foi preso junto com outras 12 pessoas em junho de 2016 em uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público sobre exploração sexual de crianças e adolescentes em Campos dos Goytacazes (RJ).

De acordo com as investigações, Nahim comandava o grupo que mantinha meninas de 8 a 16 anos em cárcere privado. Elas só saiam para fazer programas sexuais e, em troca, recebiam parte do dinheiro pago pelos clientes, alimentação e drogas.

O suplente foi condenado em primeira instância a 12 anos de prisão por estupro de vulnerável, coação no curso do processo e exploração sexual de adolescentes, mas foi solto poucos meses depois através de um pedido de habeas corpus aceito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nahim nega o envolvimento no esquema criminoso.

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