Cristovam pretende aumentar bolsa-escola para R$ 50

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Publicado terça-feira, 1 de abril de 2003 as 19:16, por: CdB

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, disse nesta terça-feira que o MEC pretende contribuir com o Programa Fome Zero “da forma mais eficaz possível”, elevando o valor mensal da bolsa-escola dos atuais R$ 24,00 para R$ 50,00 por família. Segundo o ministro, está provado que 80% dos recursos da bolsa são destinados à compra de alimentos.

O anúncio foi feito durante sessão na Comissão de Educação do Senado Federal, quando o ministro Cristovam falou sobre as 23 principais metas de sua administração, que serão transformadas em dez projetos de lei a serem remetidos ao Legislativo nos próximos dias. Todas as leis, segundo o ministro, estão voltadas para a erradicação do analfabetismo, melhoria da qualidade do ensino fundamental e médio, salário digno para os professores e implantação da universidade aberta.

Cristovam Buarque disse que o reajuste da bolsa-escola vai depender de negociações com outras instâncias do governo Lula. Mas adiantou que o presidente da República está empenhado em dar visibilidade ao discurso sobre a melhoria do ensino público e privado, em seus diferentes níveis.

O ministro reconheceu que “houve mudança de postura nos últimos anos”, e adiantou que “nada do que o governo anterior começou vai parar”. Caso, por exemplo, do Provão e de outros métodos de avaliação do aprendizado, porque entende que “a cultura da avaliação é fundamental”. O que ele promete é aperfeiçoar o sistema, “onde for possível”.

O ministro da Educação manifestou interesse em retornar ao Legislativo, sempre que necessário, para discutir estratégias em prol da educação, enquanto instrução em si, e como fator de mudança cultural; de comportamento do povo.

Para isso, acrescentou, “vamos precisar de projetos claros, articulação política e de recursos financeiros, numa grande articulação nacional pela abolição do analfabetismo. Conto com os senhores na elaboração do orçamento para 2004 na área de educação, no segundo semestre”.

Ele defende mais recursos, por exemplo, para tornar o ensino médio obrigatório e de tempo integral. De preferência, compatibilizando-o com o ensino profissionalizante, pois existem 7 milhões de jovens, entre 16 e 17 anos de idade, fora da escola tradicional. Muitos deles no limite da marginalidade, além dos quase 20 milhões de analfabetos. “Se tivéssemos investido mais em educação, há 20/30 anos, certamente os gastos hoje em segurança seriam menores, e o Brasil teria outro perfil sócio-cultura”, enfatizou Cristovam.