Em crítica ácida, general Mourão concorda que covid superou ‘limite do bom senso’

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Publicado quinta-feira, 25 de março de 2021 as 15:17, por: CdB

O objetivo dos articuladores políticos do Palácio do Planalto seria demonstrar que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não está acuado pela crise sanitária, uma vez que o aumento das mortes e o discurso negacionista de Bolsonaro têm afetado a popularidade do presidente.

Por Redação – de Brasília

Vice-presidente da República, o general de quatro estrelas Hamilton Mourão (PRTB) afirmou nesta quinta-feira que o número de mortos pela covid-19 no Brasil “já ultrapassou o limite do bom senso”. Na conversa com jornalistas, na chegada ao seu gabinete, Mourão comentou a reunião realizada na véspera entre o presidente Jair Bolsonaro, os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG); além de alguns de governadores.

O vice-presidente eleito, general Mourão, ganha mais uma queda de braço na disputa interna que se desenvolve na formação do governo Bolsonaro
O vice-presidente, general Mourão, preferiu não comentar as declarações do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL)

Mourão acredita que, agora, o objetivo principal do governo será o de reduzir o número de pessoas contaminadas e o número de óbitos, no país.

— Foram decisões que já vinham sendo gestadas, agora tem um novo ministro da Saúde (o médico Marcelo Queiroga), assumiu o comando (na véspera) e conversou com vocês (repórteres). Agora vamos enfrentar o que está aí e tentar de todas as formas diminuir a quantidade de gente contaminada e, obviamente, o número de óbitos, que já ultrapassou o limite do bom senso — alfinetou.

No Alvorada

Atualmente, o Brasil tem 12,2 milhões de infectados e mais de 300 mil mortos na pandemia. Nos últimos dias, o país tem contabilizado recordes diários de falecimentos pela doença, com os sistemas hospitalares à beira do colapso, em todos os Estados. Na reunião no Palácio da Alvorada, Bolsonaro anunciou a criação de um comitê para coordenar as ações de enfrentamento à pandemia, medida que chega atrasada “um ano e 300 mil mortos”, segundo comentário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O objetivo dos articuladores políticos do Palácio do Planalto seria demonstrar que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não está acuado pela crise sanitária, uma vez que o aumento das mortes e o discurso negacionista de Bolsonaro têm afetado a popularidade do presidente. Mourão, que esteve no encontro, disse que duas decisões foram tomadas no Alvorada.

— Uma na área internacional, de aumentar nossa inserção, nosso trabalho junto aos países que produzem insumos e vacinas para tentar acelerar a chegada não só dos insumos como das próprias vacinas no Brasil. A outra decisão na área político estratégica é a criação desse comitê que sinaliza um trabalho conjunto de todas as instituições que têm responsabilidade por debelar essa pandemia — concluiu.