Cuba realiza referendo popular à nova Constituição mas se mantém comunista

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Publicado domingo, 24 de fevereiro de 2019 as 18:05, por: CdB

O debate sobre a constituição dominou a política no país por meses, enquanto cubanos enfrentam o pior cerco econômico já imposto a uma nação no planeta. Liderado pelos EUA e, atualmente, com apoio apenas de Israel, o cerco determina a estagnação econômica ao país.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Havana

 

Desde às 7h deste domingo, 25 mil colégios eleitorais passaram a receber, em toda a ilha de Cuba, os votos de mais de 8 milhões de eleitores. Mais de 420 mil cubanos foram encarregados de organizar a consulta pública que tende a aprovar uma nova constituição, com mudanças econômicas e sociais; mas que mantém o sistema comunista instalado após a revolução, em 1959.

A bandeira cubana foi hasteada em 25 mil colégios eleitorais, neste domingo
A bandeira cubana foi hasteada em 25 mil colégios eleitorais, neste domingo

O debate sobre a constituição dominou a política no país por meses, enquanto cubanos enfrentam o pior cerco econômico já imposto a uma nação no planeta, há mais de 70 anos. Liderado pelos EUA e, atualmente, com apoio apenas de Israel, o cerco determina a estagnação econômica ao país e, conforme se aprofunda a crise na Venezuela, tradicional parceiro cubano, o governo do presidente Miguel Díaz-Canel se mantém de pé frente aos desmandos do contraparte norte-americano Donald Trump.

Uma campanha para rejeitar a constituição por consolidar o Comunismo chegou a ser lançada, na internet, por dissidentes e exilados, mas não obteve resultados mínimos.

Oportunidade

O governo de Díaz-Canel colocou à sociedade um debate de base sobre um texto preliminar da nova constituição, no ano passado. Observadores locais e estrangeiros disseram esperar entre 70% e 80% dos eleitores ratifiquem a nova constituição. O voto, em Cuba, não é obrigatório e um número de abstenções é esperado, mas a atual versão de 1976 da constituição foi aprovada por 97,8% do eleitorado.

— Os cubanos tiveram a oportunidade de debater a constituição em seus bairros e locais de trabalho. Atualiza nosso sistema econômico, que não é muito bom, mas estamos tentando modernizar e isso é muito positivo — disse Lazaro Rodriguez, 58, à agência inglesa de notícias Reuters, enquanto fazia compras em um mercado na cidade de Havana, acrescentando que votaria a favor da nova constituição.

Novos direitos

As mudanças propostas refletem a gradual abertura de Cuba desde a queda da União Soviética. Há referências a mercados e reconhecimento de propriedade privada, investimento estrangeiro, pequenos negócios, identidade de gênero, internet e o direito de representação legal em caso de prisão e habeas corpus.

A nova constituição também prevê reestruturação do governo, adicionando um primeiro-ministro e estabelecendo limites de mandatos para presidente, entre outras mudanças. Os resultados da votação serão anunciados na segunda-feira.

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